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Cisto pilonidal: conheça os tipos de tratamento

Dr. João Ricardo Duda10 horas atrás

O cisto pilonidal ou sacro-coccígeo é uma doença benigna que acomete a região sacrococcígea - abaixo da região lombar, onde se inicia o sulco entre as nádegas - cuja manifestação é por orifícios na pele entre os glúteos, que se comunicam por trajetos fistulosos subcutâneos, associados a um grau variável de inflamação e infecção. O termo pilonidal significa "ninho de pelos", devido a presença de pelos no seu interior.

Há mais de uma teoria para a causa desta afecção. Trata-se de uma doença adquirida, onde o invasor (o pelo) encontra uma anatomia desfavorável devido a um sulco interglúteo vulnerável e uma força de sucção capaz de introduzir o pelo no subcutâneo. A movimentação glútea é responsável pela sucção e aprisionamento de pelos no subcutâneo, com consequentes foliculite e abscesso. Fatores de risco associados são: incidência prévia de foliculites ou furunculoses, obesidade, história familial de cisto pilonidal, excesso de pelos na região e condições inadequadas de higiene. Sabe-se que pode afetar indivíduos de qualquer idade, porém, é característica marcante da doença se manifestar entre a puberdade e os 30 anos de idade, além de acometer três vezes mais homens que mulheres.

Tratamento

Quando a cavidade do cisto se infecta costumam se formar abscessos que podem drenar pelos orifícios. A não drenagem pelos orifícios gera aumento significativo da dor, edema e abaulamento. No caso de abscesso, deve-se drená-lo amplamente e curetá-lo, com o intuito de reduzir a taxa de recidivas.

O tratamento é sempre cirúrgico. No paciente assintomático, não há urgência, porém, a postergação pode ampliar o acometimento, tornando a cirurgia mais complexa no futuro. É raro aqueles que não operam permanecerem sempre assintomáticos. A cirurgia ideal deveria ter uma breve internação, mínimo dano ao paciente, facilidade no manejo da ferida operatória, breve retorno as atividades e principalmente baixo índice de recidivas, o que é difícil de alcançar em sua totalidade.

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Opções cirúrgicas

Método Aberto

Consiste em se abrir os trajetos fistulosos ou excisão em bloco, deixando por cicatrizar aberto em segunda intenção. Há grandes curativos, com limpezas, trocas das gazes e usos de pomadas duas ou três vezes ao dia. Gera ferimentos de manejo mais difícil, retardando o retorno as atividades cotidianas, uma vez que demora de dois até seis meses para cicatrizar. É indicada quando a doença é pouco extensa e sem infecção. A taxa de recidiva é de 10% a 15 %. Uma opção de técnica aberta é a "marsupialização" da ferida operatória. Nela os bordos são suturados ao fundo da ferida, reduzindo a superfície cruenta. A marsupialização tende a reduzir o tempo de cicatrização para dois meses ou menos, e a recorrência para 6%.

Método Fechado

Pode ser com fechamento primário ou com retalhos cutâneos. A excisão e fechamento primário é feita após a excisão e remoção ampla dos cistos, ocorre a sutura com pontos englobando a totalidade dos tecidos em direção a linha média. Ela reduz o tempo de retorno as atividades, porém, são bastante elevadas taxas de complicações, como a infecções em 30% dos casos e a recorrência do problema em 13% a 20% dos pacientes.

Já por rotação de retalhos cutâneos, a ideia é fechar grandes feridas retirando a linha de sutura da linha média e planificando o sulco intergluteo, o que em teoria dificulta a entrada do pelo para o subcutâneo. Há diversas técnicas de rotação de retalho, como a cirurgia de Karydakis, retalho em V-Y, e Zetaplastia. Eu particularmente utilizo o Retalho de Limberg.

O Retalho de Limberg tem a finalidade de cobrir ferimentos com perda grande de tecido na linha média. Faz-se uma ressecção da doença pilonidal com uma incisão em losango, libera-se o retalho cutâneo em formato triangular no glúteo direito, o qual cobrirá a área com defeito. Toda a área é suturada, constituindo numa ferida fechada. O subcutâneo é mantido drenado. As taxas de complicações na literatura variam de 4 % a 20%, e de recorrência 6%. A literatura demonstra mais complicações e menos recidivas comparando as técnicas com retalho em relação ao fechamento primário. Em minha experiência utilizando a técnica do Retalho de Limberg desde 2007, observei apenas uma recidiva, pouca dor e uma ferida de manejo mais fácil que a técnica aberta. Há uma demora de 60 a 90 dias para a cicatrização completa da ferida em sua porção inferior, o que não impede o paciente de exercer suas atividades normalmente.