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Ler e escrever no papel faz bem para o cérebro, diz estudo

E-reader e livro impresso: a versão digital tem vantagens, mas os leitores preferem o papel

Há óbvias vantagens em ler um livro num smartphone, tablet ou e-reader em vez de lê-lo no papel. No livro digital, é fácil buscar uma palavra qualquer ou consultar seu significado num dicionário, por exemplo. 

Um e-reader que pesa apenas 200 gramas pode conter milhares de livros digitais que seriam pesados e volumosos se fossem de papel. Além disso, um e-book é geralmente mais barato que seu equivalente impresso. 

Mas a linguista americana Naomi Baron descobriu que ler e escrever no papel é quase sempre melhor para o cérebro. 

Naomi estudou os hábitos de leitura de 300 estudantes universitários em quatro países – Estados Unidos, Alemanha, Japão e Eslováquia. Ela reuniu seus achados no livro “Words Onscreen: The Fate of Reading in a Digital World” (“Palavras na Tela: O Destino da Leitura num Mundo Digital” – ainda sem edição em português). 

92% desses estudantes dizem que é mais fácil se concentrar na leitura ao manusear um livro de papel do que ao ler um livro digital. 

Naomi detalha, numa entrevista ao site New Republic, o que os estudantes disseram sobre a leitura em dispositivos digitais: “A primeira coisa que eles dizem é que se distraem mais facilmente, são levados a outras coisas. A segunda é que há cansaço visual, dor de cabeça e desconforto físico.” 

Esta última reclamação parece se referir principalmente à leitura em tablets e smartphones, já que os e-readers são geralmente mais amigáveis aos olhos. 

Segundo Naomi, embora a sensação subjetiva dos estudantes seja de que aprendem menos em livros digitais, testes não confirmam isso: “Se você aplica testes padronizados de compreensão de passagens no texto, os resultados são maios ou menos os mesmos na tela ou na página impressa”, disse ela ao New Republic. 

Mas há benefícios observáveis da leitura no papel. Quem lê um livro impresso, diz ela, tende a se dedicar à leitura de forma mais contínua e por mais tempo. Além disso, tem mais chances de reler o texto depois de tê-lo concluído. 

Escrever faz bem 
Uma descoberta um pouco mais surpreendente é que escrever no papel – um hábito cada vez menos comum – também traz benefícios. Naomi cita um estudo feito em 2012 na Universidade de Indiana com crianças em fase de alfabetização. 

Os pesquisadores de Indiana descobriram que crianças que escrevem as letras no papel têm seus cérebros ativados de forma mais intensa do que aquelas que digitam letras num computador usando um teclado. Como consequência, o aprendizado é mais rápido para aquelas que escrevem no papel.

Segundo paciente na história foi curado do HIV

Existem muitas doenças terríveis e vírus neste mundo que, não importa o quanto a medicina moderna tente, não somos capazes de derrotar. 

Com mais de 70 milhões de pessoas infectadas e mais de 35 milhões de mortes, o HIV / AIDS é considerado um dos vírus mais terríveis da história da humanidade. Mas e se, depois de todo esse tempo, houver uma chance de podermos ajudar as pessoas? E se a medicina moderna for capaz de derrotar um dos maiores obstáculos que já encontrou? Uma história nova e positiva foi espalhada por toda a mídia social nos últimos dias, e pode provar que há uma chance de curar esses vírus terríveis.

Recentemente, o mundo tem sido surpreendido por algumas notáveis notícias no campo da medicina, um homem conhecido como "The London Patient" (O paciente de Londres) foi curado do HIV

Créditos da imagem: Pexels (not the actual photo)

É apenas a segunda vez na história que um paciente foi curado desta doença
Créditos da imagem:NIBSC
Em 2007, um homem chamado Timothy Ray Brown, que também é conhecido como “o paciente de Berlim”, também foi curado do HIV. 11 anos depois, Timothy ainda está livre do HIV e agora tem sua própria Fundação Timothy Ray Brown dedicada ao combate ao HIV e à AIDS. Até hoje, Timothy era a única pessoa conhecida a ser curada desta doença, agora, várias fontes anunciaram com alegria que um novo homem, conhecido como "o paciente de Londres", também tem sua segunda chance na vida. Então o que aconteceu? Como esses homens conseguiram combater uma doença que leva tantas vidas e até hoje está listada entre doenças tão terríveis como o câncer?

O paciente de Berlim que foi curado do HIV em 2007
Créditos da imagem: TimothyRayBrown
O paciente de Londres, que decidiu permanecer anônimo, foi diagnosticado com HIV em 2003, e em 2012 ele também ficou doente com um câncer no sangue chamado linfoma de Hodgkin. Enquanto ele estava muito doente de câncer, os médicos decidiram procurar uma correspondência de transplante para ele, foi quando encontraram um doador que tinha uma mutação genética conhecida como CCR5 delta 32, que confere resistência ao HIV.

Embora o transplante tenha transcorrido suavemente, os médicos notaram alguns efeitos colaterais no tratamento da London Patient. O homem começou a sofrer de doença “enxerto versus hospedeiro”, na qual as células do sistema imunológico do doador atacam as células do sistema imunológico do receptor. Mas depois que os efeitos colaterais foram embora, os médicos não conseguiram detectar nenhum traço da infecção anterior pelo HIV do paciente londrino.

Dr. Ravindra Gupta, professor e biólogo de HIV que co-liderou a equipe de médicos que tratam o paciente de Londres
Créditos da imagem: AHRI
Ravindra Gupta, um biólogo de HIV e um dos médicos que trataram o paciente, descreveu o homem como funcionalmente curado ”e“ em remissão ”, mas também mencionou que é muito cedo para dizer que ele está completamente curado. O que provocou muitas perguntas foi o fato de que ambos os pacientes tinham transplantes com mutação CCR5 e ambos passaram pelo efeito colateral “enxerto versus hospedeiro”, fazendo os médicos acreditarem que a mutação CCR5 não é o único fator importante no tratamento do HIV. .

Créditos da imagem: TimothyRayBrown
Embora este seja um passo importante no combate ao HIV e à AIDS, existem alguns fatores que tornam essa jornada mais difícil do que você imagina. Embora a mutação do CCR5 possa ser o principal fator no tratamento do HIV, existe apenas uma pequena proporção de pessoas portadoras dessa mutação, a maioria delas de descendência do norte da Europa. A complicação do enxerto contra o hospedeiro também pode desempenhar um papel importante no tratamento dos pacientes, uma vez que tanto os pacientes de Berlim quanto os de Londres tiveram essa complicação. Finalmente, segundo os médicos, esse tipo de tratamento é caro, arriscado e complexo. Para tornar este tratamento disponível ao público, ainda há um longo caminho a percorrer.

A estudante de medicina R. Kancaite explicou os principais obstáculos no tratamento do HIV no atual estágio da medicina moderna. Segundo ela, existem três grandes objetivos que precisam ser alcançados para minimizar o efeito do HIV sobre o corpo do paciente, os objetivos são: minimizar as cargas virais do HIV (já que o vírus se replica para se espalhar ainda mais), impedindo a possibilidade do vírus se espalhando e restaurando o sistema imunológico do paciente. A fim de derrotar o vírus, o paciente é prescrito medicamentos anti-retrovirais. Os primeiros 6 meses de tratamento do paciente são críticos; Por causa do tratamento, a luta do organismo contra novas infecções pode crescer e isso pode afetar sua condição geral. Os efeitos colaterais mais comuns dos medicamentos anti-retrovirais são a supressão da medula óssea, que pode levar à anemia, além de pedras nos rins, inflamação do pâncreas e do fígado e diabetes. De acordo com R. Kancaite, o HIV agora é considerado um vírus incurável mas controlado e, olhando para o conhecimento médico geral da medicina moderna atual, há uma chance de encontrar uma cura no futuro.

Via: (h/t NY Times)

Técnica brasileira visa transplante de órgãos de porcos para humanos

Para reduzir a fila de transplante de órgãos, pesquisadores apostam na modificação de porcos para tornar seus órgãos compatíveis com o organismo humano
Xenotransplante: porcos modificados para esse fim são criados em países como Alemanha e Estados Unidos (Torwai Suebsri / EyeEm/Getty Images)

A possibilidade de reduzir ou mesmo acabar com a fila de transplante de órgãos no Brasil pode se tornar uma realidade por meio do xenotransplante.

Assim é chamado o transplante de órgãos entre duas espécies diferentes – nesse caso o Sus scrofa domesticus e o Homo sapiens, porco e homem.

A iniciativa foi apresentada no primeiro dia da FAPESP Week London, que ocorre de 11 a 12 de fevereiro de 2019.

“Os órgãos dos suínos são muito semelhantes aos de humanos, mas se fossem transplantados hoje seriam rejeitados. A ideia é modificá-los para que se tornem compatíveis com o organismo humano”, disse Mayana Zatz, professora do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP) e pesquisadora responsável pelo estudo.


A coordenação científica é do IB-USP, no âmbito do Centro de Pesquisa do Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) financiados pela FAPESP.

As outras instituições associadas são o Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP e o Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração (InCor).

O projeto é uma parceria da farmacêutica EMS e FAPESP, no âmbito do Programa de Apoio à Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE). É coordenado pelo professor Silvano Raia, da Faculdade de Medicina da USP. Raia foi o primeiro médico a realizar um transplante de fígado com doador cadáver na América Latina e o primeiro transplante com doador vivo no mundo.

Atualmente, porcos modificados para esse fim são criados em países como Alemanha e Estados Unidos, com resultados promissores de transplantes de seus órgãos em macacos.

Segundo a geneticista, três genes que provocam a rejeição são bem conhecidos. Desativando-os por meio da técnica de edição gênica conhecida como Crispr-Cas9, é possível fazer com que o sistema imunológico humano não rejeite os órgãos.

O soro do sangue desses porcos será testado com o de pessoas que estão na fila de transplante de rim, a fim de verificar a presença de anticorpos que possam rejeitar os órgãos suínos na população brasileira.

As amostras fazem parte da soroteca do Laboratório de Imunologia do InCor, dirigido pelo médico Jorge Kalil, professor da Faculdade de Medicina da USP e um dos responsáveis pelo projeto. Atualmente, mais de mil amostras de soro de pacientes candidatos a transplante de rim que têm rejeição a qualquer rim humano compõem a soroteca.

Simultaneamente, Kalil e a professora Maria Rita Passos-Bueno, do IB-USP e também pesquisadora do projeto, vão desenvolver novos protocolos de acompanhamento de futuros pacientes transplantados, a fim de monitorar no sangue o surgimento de anticorpos que possam causar rejeição.

O Brasil ocupa a segunda colocação em número absoluto de transplantes, atrás apenas dos Estados Unidos. No entanto, a fila de espera por órgãos ultrapassou 41 mil inscritos em 2016. O transplante de rim é o que apresenta a maior discrepância entre número de pacientes na fila de espera e procedimentos realizados: foram 5.592 transplantes para 24.914 inscritos. Em 2017, 1.716 pacientes morreram enquanto esperavam por um rim.

“Trata-se de desenvolver um produto de base biotecnológica nacional, cujo objetivo final será prover à população em fila de espera para transplantes uma alternativa terapêutica viável e definitiva, que pode encurtar o sofrimento do paciente e seus familiares”, disse Zatz à Agência FAPESP.

Hoje, mesmo transplantes entre humanos exigem que o transplantado tome medicamentos imunossupressores, alguns para o resto da vida, a fim de combater a rejeição. No caso dos que precisam de transplante de rim, há ainda um custo elevado em hemodiálise daqueles que esperam por um novo órgão.

A fase inicial do projeto tem duração prevista de três anos e prevê ainda compatibilizar aspectos éticos, religiosos e legais do xenotransplante, pela criação de uma cátedra sobre o assunto no Instituto de Estudos Avançados.

Fabricação de órgãos
Durante sua palestra, Zatz apresentou ainda os resultados mais recentes da criação de órgãos a partir de células-tronco. Como parte do trabalho de doutorado de Ernesto Goulart, de pós-doutorado de Luiz Caires e de Luciano Abreu Brito – todos com bolsa da FAPESP –, fígado e artéria hepática de ratos foram criados usando células-tronco de um mesmo animal.

A aorta e o fígado de ratos foram descelularizados, ou seja, foram removidas todas as células por ácidos especiais, restando apenas um suporte (scaffold) formado por colágeno. Células-tronco de humanos foram colocadas nesses suportes e se reprogramaram em células hepáticas e de aorta, criando novos órgãos.

Futuramente, essa pode ser uma solução para pessoas que precisam de transplante de órgãos. Por serem feitos com células do próprio paciente, estes não estariam sujeitos a rejeição pelo organismo.

Zatz apresentou ainda outras possibilidades de uso da genética para um envelhecimento saudável, como a medicina P4 (preditiva, preventiva, personalizada e participativa). Por meio da análise do perfil genético do paciente, é possível saber quais doenças a pessoa pode vir a desenvolver. Com isso, pode-se preveni-las e mesmo participar do tratamento junto com o médico.

“A partir de estudos de milhares de pessoas no mundo inteiro que têm doenças, comparando com pessoas saudáveis, podemos derivar o que chamamos de riscos poligênicos, que são as chances aumentadas de ter diabetes, problemas cardíacos, hipertensão, câncer, entre outras. Essas doenças dependem muitos dos genes, mas também do ambiente”, disse Zatz.

A pesquisadora apresentou ainda o projeto 80+, que sequenciou o genoma de 1.324 pessoas com mais de 60 anos para entender como os que permanecem saudáveis depois dos 80, ou mesmo depois dos 100 anos de idade, diferem dos demais e quais desses fatores podem ser aplicados para a população como um todo. Atualmente existem cerca de 500 mil pessoas acima de 100 anos no mundo. 



Por André Julião, da Agência FAPESP
Via: Exame

Descoberta sobre células-tronco pode levar à cura do diabetes

(Getty images/Getty Images)

Pesquisadores conseguiram pela primeira vez criar células humanas que produzem insulina utilizando células-tronco. A novidade científica é um avanço em direção à criação de uma cura para o diabetes tipo 1.

“Os tratamentos terapêuticos atuais tratam apenas os sintomas da doença com injeções de insulina”, segundo Gopika Nair, autora do estudo, realizado pela Universidade da Califórnia em São Francisco. “Nosso trabalho aponta para diversas avenidas empolgantes para finalmente encontramos uma cura para a doença.” O estudo completo foi publicado periódico Nature Cell Biology.

Com a nova técnica, os pesquisadores conseguiram reproduzir em laboratório células beta pancreáticas que são destruídas pelo diabetes tipo 1. Elas são responsáveis pela produção de insulina.

Para driblar a dificuldade encontrada por outros pesquisadores para criar as células beta a partir das células-tronco, o time de cientistas da universidade utilizou um modelo baseado em como as células são organizadas no pâncreas humano.

“Agora, podemos gerar células que produzem insulina que são e agem de forma muito similar às células-beta do pâncreas que temos em nossos corpos. Esse é um passo crítico em direção à criação de células que podem ser transplantadas para pacientes com diabetes”, afirmou, em comunicado, Matthias Hebrok, PhD, professor emérito em pesquisa sobre diabetes da Hurlbut-Johnson, na UCSF, e diretor do Centro de Diabetes da UCSF.

Apesar do avanço científico significativo, ainda são necessários testes em humanos e uma série de certificações de órgãos de saúde para que a solução seja efetivamente aplicada em pacientes de diabetes. A equipe de pesquisadores considera alterar células com a técnica de edição genética conhecida como CRISPR para implantar as células de laboratório sem precisar ministrar remédios imunossupressores.

Via: Exame

Assunto polêmico: fumantes podem perder os mamilos

Fumar em períodos próximos a cirurgias plásticas pode resultar em graves danos ao corpo.
De acordo com a publicação do cirurgião plástico Anthony Youn, no canal The Chart da CNN, as fumantes que passaram por cirurgia plástica para erguer os seios correm grandes riscos de sofrer com a necrose dos mamilos – podendo perdê-los dependendo da gravidade da situação.

O médico explica que uma de suas pacientes, que era fumante, ignorou as advertências dele sobre fumar nos períodos próximos à cirurgia. O resultado disso: a mulher acumulou sangue venoso (pobre em oxigênio e rico em dióxido de carbono) no local da cicatrização, o que acabou iniciando o processo de necrose dos mamilos – os quais ficaram pretos.

Para solucionar o problema, Youn utilizou sanguessugas para drenar o sangue venoso daquele local, abrindo espaço para que o sangue sem impurezas voltasse a circular pelos seios da moça. Esse não é o único caso em que a combinação de cigarro e cirurgia plástica pode ser mutilador.

Conforme relatado pelo cirurgião plástico, fumantes que realizam abdominoplastia podem desenvolver uma infecção, resultando em uma ferida de grandes proporções que leva até três meses para cicatrizar. Em casos de plásticas no rosto, a pele pode apresentar complicações que ocasionam deslocamentos – chegando a deixar a gordura subcutânea exposta.

Substância encontrada em frutas atua contra picadas de jararaca

Nas plantas, esses pigmentos ajudam a atrair insetos polinizadores, filtrar raios ultravioletas do Sol e fixar nitrogênio
(Instituto Butantan/Reprodução)

Uma pesquisa feita no Instituto Butantan verificou que a rutina, molécula comum a diversas plantas e alimentos, protegeu camundongos de problemas de sangramento e de inflamação decorrentes da ação do veneno da jararaca (Bothrops jararaca), que responde por cerca de 70% dos acidentes com serpentes peçonhentas no Estado de São Paulo.

O trabalho foi realizado por Marcelo Larami Santoro, Ana Teresa Azevedo Sachetto e Jaqueline Gomes Rosa no Laboratório de Fisiopatologia do Butantan, em São Paulo, e teve apoio da FAPESP, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Resultados foram publicados na revista PLOS Neglected Tropical Diseases.

A rutina é um flavonoide, um tipo de molécula que serve de pigmento a diversos vegetais e frutas conferindo cores vibrantes. É o caso das frutas cítricas, uvas (e vinho), maçã, caqui, figo, morango, amora, cereja e framboesa ou de vegetais como pimentão e pimenta dedo-de-moça. Outros alimentos, como trigo sarraceno e chás preto e verde, também são ricos em rutina.

Nas plantas, esses pigmentos ajudam a atrair insetos polinizadores, filtrar raios ultravioletas do Sol e fixar nitrogênio, entre outros. Os flavonoides também têm poderes antioxidantes, além de participar nos mecanismos de defesa, ajudando a prevenir ataques de insetos e micróbios. No caso específico da rutina, trata-se de um flavonoide conhecido por seu alto poder antioxidante e anti-inflamatório.

Os soros antiofídicos tratam as principais manifestações dos envenenamentos por picadas de serpentes, mas não existem terapias conhecidas eficazes contra complicações secundárias comuns. Toxinas presentes no veneno da jararaca podem desencadear sangramento, alterar as reações de oxirredução –produção de energia elétrica a partir da ocorrência de oxidação e redução de espécies químicas – nas células e inibir a capacidade do corpo de parar o sangramento.

“Os mecanismos de complicações clínicas em pacientes picados por jararaca ainda não são bem compreendidos e a terapia com antiveneno é limitada em sua capacidade de tratar toda a gama de complicações que podem ocorrer após uma picada de serpente”, disse Santoro.

“No organismo de quem é picado, o veneno de jararaca aumenta a atividade do fator tissular, substância presente nos tecidos e no interior dos monócitos e plaquetas do sangue e que tem um papel fundamental no processo de coagulação”, disse.

O fator tissular é ativado mediante a exposição dos tecidos, como em cortes ou machucados. É quando o fator tissular age para propiciar a coagulação do sangue no local do ferimento.

Já nos casos de envenenamento, o fator tissular é ativado mesmo na ausência de qualquer ferida. Quando isso ocorre, no interior dos vasos sanguíneos começa a formação de coágulos, que prejudicam a circulação e acabam por se tornar tromboses, que efetivamente bloqueiam os vasos causando necrose nos tecidos.

Daí que reduzir a atividade do fator tissular, fazendo-o retornar à sua condição original, seria um caminho para uma importante complicação secundária do envenenamento que é a formação de coágulos sanguíneos. “O envenenamento não aumenta necessariamente o fator tissular, ele aumenta a atividade do fator tissular”, disse Santoro.

Estresse oxidativo
Uma enzima chamada PDI controla a atividade do fator tissular. Da mesma forma, sabe-se que a rutina tem o poder de inibir a ação da PDI.

“O envenenamento por picadas de jararaca causa problemas de coagulação, que resultam do aumento da atividade do fator tissular. A atividade do fator tissular é controlada pela enzima PDI e sabemos que a rutina tem o poder de inibir a PDI. Pensamos que seria possível usar a rutina para evitar a expressão do fator tissular nos casos de envenenamento, reduzindo assim complicações secundárias como a coagulação sanguínea”, disse Santoro.

Para testar a hipótese, os pesquisadores fizeram experimentos com instrumentos em laboratório e em camundongos. No primeiro, ao colocarem veneno de jararaca em presença de uma solução com rutina, foi constatado um efeito benéfico contra o estresse oxidativo, que é uma condição biológica em que ocorre desequilíbrio entre a produção de radicais livres e a sua remoção do organismo. O estresse oxidativo é outra complicação secundária que ocorre no envenenamento.

No caso do experimento com animais, foram usados 72 camundongos, divididos em três grupos de tempos, cada um com 24 animais. Estes, por sua vez, foram divididos em quatro grupos de seis camundongos cada. O primeiro grupo foi o de controle. No segundo grupo foi injetado somente o veneno de jararaca. No terceiro, foi injetada uma solução salina com rutina. E no quarto grupo foi injetado ao mesmo tempo o veneno e a mesma solução com rutina.

Decorridas 3, 6 e 12 horas após as injeções, foi feita a eutanásia dos animais. Em seguida, os pesquisadores do Butantan analisaram amostras de sangue e tecido dos animais para entender quais efeitos a rutina teve em eventos fisiopatológicos desencadeados pelo veneno.

“No envenenamento, aumenta a atividade do fator tissular. No grupo de animais nos quais foram injetados veneno e rutina, verificamos que a rutina reduziu o distúrbio da coagulação, protegendo assim o organismo dos camundongos das ações de coagulação do envenenamento”, disse Santoro. “No entanto, não sabemos qual foi o alvo da rutina ou de que forma ela agiu no organismo dos animais para controlar o fator tissular.”

De acordo com o pesquisador, futuros estudos serão necessários para compreender a atividade da rutina, uma vez que o veneno tenha iniciado eventos fisiopatológicos, bem como os efeitos terapêuticos da rutina administrada junto com o antiveneno.

“A pesquisa sugere que a rutina tem grande potencial como uma droga auxiliar em conjunto com a terapia antiveneno para tratar picada de cobra, particularmente em países onde a disponibilidade de antiveneno é escassa”, disse Santoro.

O artigo Rutin (quercetin-3-rutinoside) modulates the hemostatic disturbances and redox imbalance induced by Bothrops jararaca snake venom in mice (doi: https://doi.org/10.1371/journal.pntd.0006774), de Ana Teresa Azevedo Sachetto, Jaqueline Gomes Rosa e Marcelo Larami Santoro, pode ser lido em https://journals.plos.org/plosntds/article?id=10.1371/journal.pntd.0006774.

Por Peter Moon, da Agência Fapesp

Nova droga pode curar tumor cerebral agressivo

Novo composto chegou a curar animais em teste
Células de câncer (iStock/Thinkstock) (iStock/Thinkstock) 

 Uma nova droga tem potencial de curar pacientes de um câncer cerebral agressivo: o glioblastoma. É o que indica uma pesquisa feita no Sheba Medical Center, em Israel, e publicada no periódico científico Fronties in Neurology.

A necessidade de pesquisa sobre a doença é a inexistência de cura e os resultados dos tratamentos atuais são limitados. O glioblastoma é o câncer primário mais mortal para o cérebro.

O que a ciência sabe sobre a doença é que a trombina, um fator de coagulação sanguínea que é secretado por células do tumor, e PAR1, um receptor ativado por protease (uma enzima que decompõe proteínas e peptídeos), são partes dos tumores em si e responsáveis pela progressão da doença. Chamada SIXAC, a droga composta por seis novos aminoácidos inibe a ativação do PAR1.



Por enquanto, a droga só foi testa em modelos do tumor em animais, mas se mostrou efetiva. Neles, ela desacelerou a progressão da doença, sua multiplicação e habilidade de penetrar no tecido cerebral. Em 10% dos animais, que tinham tumores malignos de alto grau, a droga prolongou suas vidas e chegou a curá-los da doença. Vale notar que o glioblastoma também pode afetar a coluna vertebral, mas a pesquisa foi feita com foco no tumor cerebral.

A expectativa dos pesquisadores é analisar os seus resultados em humanos o mais breve possível. A SIXAC seria implementada como um tratamento complementar à quimioterapia, com o objetivo de prolongar e dar mais qualidade de vida aos pacientes da doença. Ainda assim, apesar da promessa dos esforços dos pesquisadores, eles alertam que o sucesso da nova droga dependerá não só dos avanços científicos, mas também de financiamento.

Via: Exame

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