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OMS: homossexuais têm 20 vezes mais probabilidades de contrair HIV

Na América Latina, cerca da metade das contaminações por HIV acontecem entre gays 
Da EFE

Genebra - Os homossexuais apresentam 20 vezes mais chances de contrair HIV e por isso a Organização Mundial da Saúde (OMS) elaborou pela primeira vez uma lista de diretrizes para o tratamento e a prevenção deste vírus entre gays e transexuais. 

Em países como a Bolívia, Jamaica, México, Mianmar, Tailândia, Trinidad e Tobago e Zâmbia, a porcentagem de homossexuais contagiados por HIV ultrapassa os 20%, e em alguns casos chega a 40%, segundo afirma o relatório da OMS, apresentado nesta terça-feira em Genebra. 

No caso dos transexuais, as taxas de contágio variam entre 8% e 68%, dependendo do país, embora em muitos casos os dados não sejam confiáveis pelo fato da comunidade homossexual não ser legalmente reconhecida. 

A OMS lembra que em muitos países estas pessoas são estigmatizadas, o que pode fazer com que não recorram aos serviços de atendimento médico nem recebam tratamento por medo de serem humilhadas caso seja rompido o pacto de sigilo médico-paciente. 

Atualmente, mais de 75 países criminalizam os homossexuais e transexuais, privando-os de direitos fundamentais, como o atendimento médico. 

Segundo os dados por regiões, a prevalência de infecções de HIV entre homossexuais na África Subsaariana oscila entre 6% e 31%, enquanto na Ásia os homossexuais apresentam 18 vezes mais probabilidades de contrair o HIV do que a população heterossexual. 

Na América Latina, cerca da metade das contaminações por HIV acontecem entre gays. 

As recomendações do relatório são dirigidas a políticos, profissionais de saúde e aos homossexuais e transexuais, com o objetivo de fomentar a prevenção por meio da camisinha. 

"Não podemos reduzir a propagação da infecção por HIV no mundo se não forem atendidas as necessidades particulares destes grupos da população", declarou o diretor do departamento de HIV/Aids da OMS, Gottfried Hirnschall. 

As novas diretrizes da OMS foram preparadas ao longo do ano passado mediante consultas mundiais das quais participaram funcionários da saúde pública, cientistas e representantes de organizações da sociedade civil.

Proteína pode proteger células em tumor cerebral, diz pesquisa


Expressão de proteína seria um mecanismo de proteção contra a morte das células por falta de oxigênio e nutrientes


Cientistas estão desvendando a relação de uma proteína com um tipo de tumor cerebral letal, o glioblastoma multiforme (GBM). A proteína em questão é a galectina-3 (gal-3). Os experimentos foram realizados in vitro e in vivo e podem auxiliar no melhor conhecimento dos mecanismos de ação da gal-3 no desenvolvimento do GBM.Thinkstock/Getty Images
“Nossos resultados demonstraram que houve aumento da morte destas células de GBM (tumor) que tiveram a expressão de gal-3 reduzida”, diz pesquisador

A pesquisa foi realizada no doutorado do biólogo Rafel Ikemori, no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), sob orientação do professor doutor Roger Chammas, do Departamento de Radiologia da Faculdade de Medicina (FM) da USP, e responsável pelo Centro de Investigação Translacional em Oncologia do ICESP.

O primeiro passo foi observar in vivo a expressão de gal-3 em GBM. Ikemori conta que uma das características do GBM é possuir células com núcleo alongado que circundam áreas necróticas (mortas) originadas pela trombose de vasos sanguíneos.

“Estas células formam uma área denominada pseudopaliçada e podem se originar também pelo rápido crescimento tumoral que não é acompanhado pela indução dos vasos. E somente estas células dentro deste tipo tumoral expressam gal-3”, descreve o cientista. A falta de vasos leva à falta de oxigênio (hipóxia) e nutrientes e, consequentemente, à morte celular.

Ikemori explica que há uma hipótese, cujas evidências já foram mostradas por alguns pesquisadores, de que as células desse centro hipóxico e privado de nutrientes migram para fora destas áreas em direção a vasos sanguíneos, porém não foi avaliada a relação da gal-3 com a sobrevivência celular neste tipo específico de microambiente.

Assim, os ensaios consistiram de experimentos in vitro imitando este microambiente tumoral expondo as células de GBM à hipóxia e privação de nutrientes para avaliar as possíveis propriedades da gal-3.

“Colocamos células de uma linhagem de GBM em cultura e avaliamos a expressão da galectina-3”, conta Ikemori.

Superexpressão de gal-3

Ao expor as células de GBM a hipóxia e privação de nutrientes, ele constatou o aumento da indução de gal-3, ou sua “superexpressão”. Para determinar sua função nestas condições, Rafael utilizou-se de uma técnica de biologia molecular para diminuir a expressão proteica de gal-3 nesta linhagem, expondo logo depois estas células a hipóxia e privação de nutrientes.

“Nossos resultados demonstraram que houve aumento da morte destas células de GBM que tiveram a expressão de gal-3 reduzida”, ele conta.

Deste modo, é possível que a expressão in vivo de gal-3 em GBM seja um mecanismo de proteção contra a morte frente a um ambiente com baixa disponibilidade de oxigênio e nutrientes. De uma maneira interessante, ambientes hipóxicos tendem a demonstrar menor eficácia em tratamentos com radio/quimioterápicos, e deste modo a gal-3 poderia atuar também diminuindo a ação destes tratamentos.

Outro caminho explorado pelos cientistas foi o de estudar outras proteínas que seriam as indutoras da gal-3, mais especificamente o HIF-1α e o NF-kB. A hipótese levantada é a de que uma ação inibidora na direção destas proteínas indutoras também poderia evitar a superexpressão da gal-3 em condições de hipóxia.

Experimentos in vivo

Ao avaliar o efeito da expressão de gal-3 em uma outra linhagem tumoral, porém in vivo em camundongos, os cientistas demonstraram que gal-3 é importante no início do estabelecimento tumoral. Quando a expressão de gal-3 foi diminuída, o tempo de estabelecimento foi aumentado de 30 para 65 dias, ou seja, foi mais demorado. Ikemori lembra também que as taxas de crescimento caíram consideravelmente.

Os estudos de Ikemori poderão servir de base a outras pesquisas que visem melhor conhecer os mecanismos de ação e de combate nos casos de GBM. A pesquisa foi veiculada na revista PLOsOne, na edição de novembro de 2014.

Como usar a pílula do dia seguinte

Getty Images

Método emergencial, pílula do dia seguinte deve ser tomada até 72 horas após a relação desprotegida; veja indicações

Médicos alertam que esse tipo de anticoncepcional não deve ser usado rotineiramente

Quem não deseja ter filhos deve se precaver com métodos anticoncepcionais, como preservativos, pílulas anticoncepcionais, DIU, além de outros. No entanto, no caso de uma relação desprotegida, o uso da pílula do dia seguinte pode ser uma opção.

Se tomado dentro de 72 horas, o medicamento age inibindo ou retardando a ovulação ou interferindo no encontro do óvulo com o espermatozoide e, teoricamente, na implantação do ovo na parede uterina.

É preciso reforçar, entretanto, que esse método não deve se tornar rotina, mas sim ser um recurso apenas em situações emergenciais.

“A pílula do dia seguinte é usada para prevenir uma gravidez em uma relação não protegida, numa possível falha de método anticoncepcional, como rompimento do preservativo, deslocamento do DIU, esquecimento da tomada da pílula anticoncepcional ou estupro”, conta Eddy Nishimura, ginecologista do Hospital Santa Cruz, de São Paulo.

A pílula é feita com o hormônio progestágeno. “O uso de progestágenos em duas doses de 750 µg, com intervalo de 12 horas, ou 1.500 µg, em dose única, antes de 72 horas da relação sexual desprotegida tem sido largamente recomendado para fins de anticoncepção de emergência. Quanto mais precoce for, maior a probabilidade de sucesso”, diz Milca Chade, ginecologista da Clínica Chade.

A janela de tempo que a mulher tem para usar o medicamento após a relação é de até 72 horas. Depois desse período, utilizar o anticoncepcional de emergência não é recomendado, pois a gravidez já pode ter sido confirmada e, nesse caso, o hormônio prejudicaria a formação do feto.

“É bom lembrar que a eficácia da pílula do dia seguinte é menor do que a de um método utilizado regularmente. Depois de tomar o medicamento, a paciente deve ser orientada a aderir a outro método anticoncepcional como o preservativo, por exemplo, se for continuar a ter relações”, diz Nishimura.


Efeitos colaterais

Alguns efeitos colaterais atingem quem usa a pílula do dia seguinte. “Os mais comuns são náuseas, vômitos, tontura, dor de cabeça, sensibilidade mamária e irregularidade menstrual”, conta Nishimura. Já o risco de trombose venosa, que é aumentado com o uso prolongado de hormônios, é mínimo, segundo explica o ginecologista Eddy Nishimura. 

Ainda segundo o médico, para as mulheres obesas (IMC acima de 30), a pílula do dia seguinte pode ser menos eficaz. Nesses casos, ele diz que a colocação de um DIU de cobre é também uma forma de anticoncepção de emergência. A colocação do instrumento horas após a relação desprotegida terá o mesmo efeito da pílula do dia seguinte. No entanto, essa prática, mais complexa e que demanda cuidados médicos, não é popular no Brasil.


Apesar de a pílula do dia seguinte ter tarja vermelha, significando que só pode ser vendida com receita médica, a prática em muitos lugares não é assim. “O ideal é que a mulher já tenha obtido uma receita e passado por uma avaliação pelo ginecologista, além de ter sido orientada da melhor forma de usar”, diz Nishimura.

5 motivos para trocar absorvente por coletor menstrual

Mulheres normalmente utilizar absorventes naqueles dias, algo que se tornou convencional para resolver o problema da liberação dos fluidos.

Mas sabia que existem outros produtos que podem ajudar nesses dias? Um deles é o coletor menstrual.

Abaixo estão listados cinco benefícios de usar um coletor menstrual:

1. Um coletor menstrual custa entre R$ 60 e R$ 100 e dura por até 15 anos se for usado corretamente. Estima-se que uma mulher gaste cerca de 9.000 absorventes durante sua vida, o que lhe custaria cerca de R$ 9.000.
Lista traz cinco motivos para que as mulheres substituam o uso dos absorventes pelo coletor menstrual. Economia e meio ambiente estão entre eles.

2. O uso dos coletores é sustentável para o meio ambiente, já que eles podem ser reutilizados, enquanto os absorventes são descartáveis e podem demorar até 450 anos para que se decomponham.

3. Os coletores evitam o vazamento da secreção menstrual e os maus odores gerados por ela, porque forma um vácuo ao ser introduzido no canal da vagina. Ele deve ser esvaziado de 2 a 4 vezes ao dia, de acordo com sua recomendação.

4. Basta lavá-los com água e sabão neutro, de 2 a 3 vezes ao dia, e enxaguar para garantir até 12 horas de higienização.

5. Ele é de fácil inserção e adapta-se ao corpo feminino, de acordo o tamanho de cada produto e corpo.

Fonte: Brasil Post

Poluição do ar pode causar danos ao cérebro, alerta pesquisa


      Asma, problemas de coração, câncer de pulmão, rinites e bronquites...À longa lista de complicações de saúde associadas à poluição do ar nas grandes cidades, adicione mais uma: danos ao cérebro. 

É o que aponta uma pesquisa da Harvard Medical School, publicada no periódico científico Stroke

Segundo o estudo, a exposição de longo prazo à poluição urbana pode ser associada à algumas mudanças estruturais no cérebro, capazes de afetar negativamente seu funcionamento. 

Entre elas: redução do tamanho do cérebro, envelhecimento precoce do mesmo, pequenos "infartos" e até mesmo demência. 

O pesquisadores examinaram dados sobre 943 homens e mulheres saudáveis com mais de 60 anos, que vivem na região de New England, no Reino Unido. 

Ao comparar aqueles que vivem nas áreas mais poluídas com os que moram em locais com o ar mais limpo (e controlar fatores ligados à estilo de vida), eles concluíram que o segundo grupo tem um risco 46 por cento maior de sofrer com mini-infartos cerebrais (que podem ser visto em varreduras do cérebro, mas normalmente não causam sintomas). 

Tais infarto cerebrais têm ligação com uma pior função cognitiva e demência, segundo os pesquisadores. 

Além disso, os maiores níveis de poluentes em suspensão também foram associados à uma redução de 0,32 por cento em volume do cérebro, que seria uma consequência do envelhecimento precoce do órgão. 

Não está claro, exatamente, como a poluição do ar pode mudar o cérebro das pessoas. Os pesquisadores suspeitam que ela pode causar aumento de inflamações, mas eles ainda estão tentando entender a ligação. 

Para analisar as estruturas cerebrais dos participantes, eles utilizaram ressonância magnética e compararam as imagens com os níveis de poluição do ar nos locais onde cada grupo vivia. 

Eles também usaram dados de satélite para medir partículas menores que 2,5 micrômetros, as chamadas PM 2,5. 

Verdadeiras ameaças em suspensão no ar, essas partículas ultrafinas resultam da combustão incompleta de combustíveis fósseis utilizados pelos veículos automotores e formam, por exemplo, a fuligem preta em paredes de túneis e latarias de carros. 

Imperceptível a olho nu, o material particulado não encontra barreiras físicas, entrando facilmente no corpo humano.


Anvisa aprova novo medicamento para tratamento da hepatite C

O Viekira Pak é o quarto medicamento para o tratamento da hepatite C registrado este ano no país
Paula Laboissière, daAGÊNCIA BRASIL

Brasília - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou hoje (22) no Diário Oficial da União o registro do Viekira Pak (ombitasvir, veruprevir, ritonavir, dasabuvir). Este é o quarto medicamento para o tratamento da hepatite C registrado este ano no país.

Segundo a Anvisa, o remédio passa a integrar uma lista de medicamentos inovadores, também composta pelo Daklinza® (daclatasvir), Olysio® (simeprevir) e Sovaldi® (sofosbuvir), que tiveram processos de análise de registros priorizados pela agência a pedido do Ministério da Saúde.

“Durante a avaliação, todas as etapas para o registro de um medicamento no país, como análise da tecnologia farmacêutica, de eficácia e de segurança, foram cuidadosamente mantidas”, informou o órgão.

O medicamento Viekira Pak foi aprovado na forma farmacêutica, constituído por comprimidos revestidos de ombitasvir (12,5 mg), veruprevir (75 mg) e ritonavir (50 mg) associados e comprimidos revestidos de dasabuvir, na concentração de 250 mg.

A hepatite C é causada pelo vírus C (HCV), presente no sangue. Entre as causas de transmissão mais comuns estão a transfusão de sangue e o compartilhamento de material para uso de drogas (seringas, agulhas, cachimbos, entre outros), de higiene pessoal (lâminas de barbear e depilar, escovas de dente, alicates de unha ou outros objetos que furam ou cortam) ou para a confecção de tatuagem e colocação de piercings.

1º teste caseiro para detectar HIV começa a ser vendido

O teste, da companhia Bio Sure UK e que pode ser comprado pela internet, funciona de maneira similar ao de gravidez, ao medir os níveis de anticorpos no sangue 

Da EFE

Londres - O primeiro teste caseiro que permite saber em 15 minutos se uma pessoa foi infectada com o vírus da Aids começou a ser vendido nesta segunda-feira no Reino Unido, informaram os meios de comunicação. 

O teste, da companhia Bio Sure UK e que pode ser comprado pela internet, funciona de maneira similar ao de gravidez, ao medir os níveis de anticorpos no sangue. 

Os especialistas advertiram hoje que caso o exame der positivo, este tem que ser confirmado pelos médicos, mas ressaltaram que ajudará muitas pessoas a obter um rápido tratamento caso tenham sido infectadas com o Vírus de Imunodeficiência Humana (HIV). 

O dispositivo permite analisar uma pequena gota de sangue extraída pela pessoa e, após 15 minutos, aparecerão duas linhas de cor roxa se o teste der positivo. 

Nesse caso, o fabricante recomenda comparecer a uma clínica especializada em doenças sexualmente transmissíveis. 

Os especialistas afirmam, no entanto, que embora o resultado seja negativo, não quer dizer que a pessoa esteja livre do vírus já que os anticorpos são gerados três meses depois da infecção. 

A responsável da entidade benéfica Terrence Higgins Truste, Rosemary Gillespie, que apoia pessoas com Aids, expressou sua satisfação pelo acesso da população a este teste. 

"Fizemos campanha durante muito tempo para conseguir uma legislação que permita contar com testes caseiros de HIV, algo que foi conquistado em abril de 2014, portanto é fantástico ver estes primeiros exames", afirmou Gillespie.

Sistema de inteligência artificial ajuda a detectar câncer

Equipe do Laboratório de Ciência da Computação e Inteligência Artificial do MIT declarou que sistema pode ser usado para identificar linfomas no organismo humano
Gabriel Garcia, de INFO Online

Uma equipe do MIT desenvolveu um software capaz de estudar informações de exames e pesquisas clinicas, auxiliando médicos a diagnosticar casos de câncer.

Em um estudo publicado na revista científica Journal of the American Medical Informatics Association, a equipe do Laboratório de Ciência da Computação e Inteligência Artificial do MIT descreve como o sistema pode ser usado para identificar linfomas no organismo humano.

Existem 50 subtipos de linfoma, um câncer com origem no sistema linfático e de difícil diagnóstico: mais de 15% dos casos são inicialmente mal diagnosticados, impedindo que o tratamento comece mais cedo.

O programa desenvolvido no MIT usa grandes bancos de dados com relatórios da doença, extraindo deles as informações médicas que podem ser combinadas para diagnosticar as cinco dezenas de subcasos de linfoma.

O sistema também analisa palavras geralmente usadas em registros médicos.

O cruzamento de todos esses dados oferece aos médicos informações e descrições de casos similares. O software também sugere os tipos de linfoma que podem estar presentes no paciente examinado.

Os pesquisadores do MIT afirmam que o sistema ainda precisa ser alimentado com mais informações para que sua precisão aumente, mas espera que o software seja disponibilizado à comunidade médica já nos próximos anos.

Estudo mostra por que exercício é benéfico para o coração

Casal pratica exercício: No grupo de pacientes que passou pelo programa de treinamento físico, a atividade simpática ficou cerca de 10% menor
Karina Toledo, da AGÊNCIA FAPESP

Em portadores de insuficiência cardíaca, qualquer atividade simples do cotidiano, como subir escadas, fazer compras ou tomar banho, pode causar taquicardia, fadiga e dificuldade para respirar.

Tal intolerância ao esforço, segundo dados da literatura científica, está relacionada com uma hiperatividade do sistema nervoso simpático – parte do sistema nervoso autônomo responsável por controlar, entre outros fatores, os batimentos cardíacos, pressão arterial e a contração e o relaxamento de vasos sanguíneos.

Os mecanismos moleculares por trás da hiperatividade simpática e os efeitos benéficos do treinamento físico na modulação desse sistema foram investigados durante o doutorado de Lígia M. Antunes-Corrêa, realizado no Instituto do Coração da Universidade de São Paulo (Incor-USP) no âmbito do Projeto Temático “Bases celulares e funcionais do exercício físico na doença cardiovascular”, coordenado pelo professor Carlos Eduardo Negrão, que também é membro da Coordenação Adjunta de Ciências da Vida da FAPESP.

Os resultados foram divulgados recentemente em artigo publicado no (http://ajpheart.physiology.org/content/307/11/H1655) American Journal of Physiology – Heart and Circulatory Physiology.

“Existem dois tipos de receptores no tecido muscular: o metaborreceptor e o mecanorreceptor. Quando eles são estimulados, a atividade simpática aumenta. Mas em pacientes com insuficiência cardíaca esse aumento é exagerado, o que parece estar relacionado com uma hiperatividade dos mecanorreceptores, e isso faz com que os pacientes se cansem mais facilmente. Queríamos entender melhor por que isso ocorre”, explicou Antunes-Corrêa.

Como a própria nomenclatura sugere, o mecanorreceptor é uma espécie de sensor mecânico, ativado pela simples contração e relaxamento muscular.

Já o metaborreceptor é um sensor químico, ativado pelos metabólitos produzidos em resposta à contração do músculo.

Em pessoas saudáveis, a ativação desses receptores durante a realização de exercícios físicos tem a função de aumentar a atividade do sistema cardiovascular e respiratório e garantir o aporte adequado de sangue e oxigênio para as células.

“Mas estudos anteriores mostraram que, como a musculatura dos portadores de insuficiência cardíaca sofre uma série de alterações metabólicas em razão da redução no fluxo sanguíneo e da hiperatividade simpática, o metaborreceptor fica em contato constante com uma série de metabólitos produzidos em excesso, mesmo durante atividade leves do dia a dia, e acaba perdendo sua sensibilidade. Como forma de compensação, o receptor mecânico fica hiperativado”, contou Antunes-Corrêa.

Por meio de uma biópsia do músculo vasto lateral da coxa de pacientes com insuficiência cardíaca, o grupo do Incor observou que a perda de sensibilidade do metaborreceptor estava associada a uma redução na expressão de outros dois receptores em seu entorno: o TRVP1 e o CB1.

Já a hiperatividade do mecanorreceptor foi relacionada com o aumento da inflamação muscular mediada pela enzima ciclooxigenase-2 (COX2).

“Essa enzima participa da produção de prostaciclinas, prostaglandinas e tromboxano – moléculas que podem modular a sensibilidade dos mecanorreceptores”, explicou Antunes-Corrêa.

Testes com nova vacina indicam proteção total contra vírus HIV

James Gallagher Editor de Saúde da BBC News
Em teste com terapia genética, cientistas conseguir deixar macacos protegidos contra o vírus 

Macacos totalmente protegidos contra o vírus do HIV. Esse foi o resultado de um teste de uma nova vacina contra o HIV, que deixou a comunidade científica animada.

A abordagem da vacina, cujo estudo acaba de ser publicado na revista Nature, é bastante radical.

Normalmente, as vacinas treinam o sistema imunológico para combater infecções. Mas nessa nova vacina os pesquisadores do instituto de pesquisa Scripps, com sede na Califórnia, alteraram o DNA dos macacos para dar às células deles propriedade para combater o HIV.


A equipe diz que a descoberta é “incrível” e que vai começar os testes em humanos em breve. Consultados pela BBC, cientistas independentes – não ligados ao instituto – também se entusiasmaram com os resultados do teste.

DNA

A técnica usa terapia genética para introduzir uma nova seção de DNA dentro das células musculares saudáveis.

Nessa parte de DNA há tipos de "instruções" para a criação de ferramentas para neutralizar o HIV, que então é bombardeado para fora da corrente sanguínea.

Nos testes, os macacos ficaram protegidos contra todos os tipos de HIV durante ao menos 34 semanas.

Como os macacos também desenvolveram proteção diante de altas doses do vírus, isso também pode ajudar pacientes que já tenham HIV, de acordo com os cientistas.

"Estamos mais perto de uma proteção universal (contra o HIV) do que qualquer outra abordagem feita por outras vacinas", disse o cientista Michael Farzan, um dos líderes do estudo. "Mas ainda temos muitos obstáculos, especialmente em como fazer uma vacina segura para ser aplicada em um grande número de pessoas."

Isso porque em uma vacinação convencional, o sistema imunológico responde apenas depois de estar diante de uma ameaça.

Já nesta abordagem, a terapia genética transforma células em fábricas que expelem constantemente "matadores de HIV" – e as implicações a longo prazo disso são desconhecidas.

Apesar dos entraves, cientistas de outras instituições comemoraram os resultados.

“Essa pesquisa é bastante inovadora e é uma promessa que nos leva em duas importantes direções: obter uma proteção a longo prazo contra o HIV e colocar o vírus em remissão, no caso de pessoas já infectadas", disse o pesquisador Anthony Fauci, do National Institutes of Health, dos EUA.

Vacina contra doença que mata uma criança por minuto chega a fase final de testes

Malária mata mais de 500 mil crianças por ano no mundo - o equivalente a uma a cada minuto 

Novos testes de uma vacina contra a malária produziu resultados animadores chegando à fase final de testes – a primeira a atingir este estágio – mas também produziu demonstrações de desapontamento com o grau de efetividade aquém do ideal.


Nos experimentos, a droga RTS,S/AS01 ofereceu proteção parcial a um grupo de 16 mil crianças de sete países africanos. Mas não foi efetiva em bebês de até três meses de idade, afirmaram os autores do estudo na revista científica britânica The Lancet.

A malária mata mais de 500 mil crianças no mundo, o equivalente a uma a cada minuto.

No Brasil, segundo a OMS, o número de casos de malária tem diminuído, tendo sido registrados em 2014, 178 mil casos, que levaram a 41 mortes.

Apesar do desempenho limitado, os cientistas salientaram que a droga é a vacina estágio clínico mais avançado disponível.

"O desenvolvimento desta vacina continua sendo importante", disse o coordenador do grupo de trabalho sobre malária da organização Médicos Sem Fronteiras, Martin de Smet.

"Posso ver o uso dessa vacina especialmente nos países onde a malária é um mal permanente, onde as crianças têm em média cinco, seis, sete episódios de malária por ano.

Assim, mesmo que vacina ofereça, digamos 30% de proteção, se você traduzir isto em número de crianças salvas e em número de episódios de malária evitados, claro que (a vacina) é uma contribuição significativa para o controle da malária", afirmou o especialista.

Mas ele afirmou que os resultados são "desapontadores". "Tínhamos muita expectativa em relação a essa vacina e o nível de proteção que ela proveria. Está sem dúvida abaixo do que esperávamos."
Ciclo do parasita transmitido pelo mosquito é complexo e resiste ao sistema imunológico humano 

Proteção parcial

Quase 9 mil crianças entre 5 e 17 meses de idade e 6,5 mil bebês entre 6 e 12 semanas receberam a vacina em sete países africanos (Burkina Faso, Gabão, Gana, Quênia, Malauí, Moçambique e Tanzânia) entre março de 2009 e janeiro de 2011. Elas foram acompanhadas até o início de 2014.

Segundo os dados publicados no Lancet, a droga protegeu um terço das crianças vacinadas no experimento.

Após receber três doses da droga, os níveis de efetividade em crianças mais velhas chegaram a 46%. Mas os efeitos em bebês foram menos significativos, afirmaram os cientistas.

Pesquisadores buscam uma vacina contra a malária, transmitida pela picada do mosquito, há 20 anos. Atualmente não existe nenhuma vacina aprovada contra a doença.

O autor do estudo, Brian Greenwood, da Escola de Higiente e Medicina Tropical de Londres, reconheceu que dificilmente os níveis de efetividade da vacina contra a malária se compararão aos da droga para prevenir o sarampo, que chegam a 97%.

O parasita da malária tem um ciclo de vida complexo e ao longo dos séculos aprendeu a resistir ao sistema imunológico humano.

A agência europeia de medicina vai revisar os dados e, se for aprovada, a vacina poderia receber autorização para produção comercial. A Organização Mundial da Saúde pode recomentar seu uso em outubro.

Ceticismo

Alguns cientistas receberam o resultado dos testes com reserva.

Para o professor Adrian Hill, da Universidade de Oxford, a droga é um "marco", mas deixa muitas questões em aberto.

"Pelo fato de a vacina ter um efeito tão curto, o reforço é importante - mas não tem a mesma efetividade das primeiras doses", afirmou.

"Mais preocupante é o indício de um repique na propensão a malária: após 20 meses, as crianças vacinadas que não receberam o reforço tiveram um aumento no risco de contrair malária grave nos 27 meses seguintes, comparadas com as crianças não-vacinadas."

Outros especialistas pediram que o custeio da vacina não implique reduções de investimento em medidas preventivas, como a distribuição de redes anti-mosquito.

Cuba vai fornecer vacinas contra o câncer para os Estados Unidos

Os acordos foram anunciados durante a visita à ilha do governador de Nova York


Cuba vai fornecer vacinas terapêuticas contra o câncer aos Estados Unidos, com a assinatura de vários acordos com organismos norte-americanos na área da saúde, noticiou hoje (22) o diário oficial cubano Granma.

Os acordos foram anunciados durante a visita à ilha do governador de Nova York, Andrew Cuomo, que ocorreu segunda-feira (20) e terça-feira (21). Uma das organizações norte-americanas envolvidas é o Instituto Roswell Park contra o Câncer de Nova York, que assinou um acordo com o Centro de Imunologia Molecular de Cuba.

As vacinas terapêuticas contra o câncer atuam na área da imunoterapia, método terapêutico que consiste em estimular as defesas naturais (sistema imunológico) das pessoas com câncer para que possam combater de forma mais eficaz a doença e eventuais metástases. A vacina é o segundo medicamento cubano a entrar nos Estados Unidos, dois anos depois da entrada de um remédio indicado para o tratamento do diabetes.

Outro acordo assinado prevê o fornecimento de aplicações informáticas norte-americanas para uma empresa farmacêutica cubana, que não foi identificada. O protocolo com a empresa tecnológica norte-americana Infor também envolve intercâmbios “com uma universidade cubana para ações de formação com estudantes” na área das novas tecnologias.

Acompanhado de uma delegação de empresários, Andrew Cuomo foi o primeiro governador norte-americano a visitar o território cubano depois do anúncio, em 17 de dezembro de 2014, da aproximação histórica entre Washington e Havana, que não têm relações diplomáticas oficiais há mais de meio século.

A semelhança entre pais e filhos pode ser assustadora! Essas 21 fotos são a prova.

É natural que pais e filhos se pareçam. Afinal, as características são passadas de geração para geração através dos genes. Mas em alguns casos a semelhança é tanta que chega quase a ser assustadora. Os olhos simplesmente não querem acreditar que são duas pessoas diferentes. Mas são! Verdadeiramente impressionante.

Pai e filha

Pai e filho

Pai e filha

Pai e filho

Mãe e filha

Pai e filho

Avó e neta

Pai e filha 

Mãe e filha

Avó e neta

Mãe e filha

Pais e filhos (2 gerações)

Mãe e filha

Pai e filho

Mãe e filha

Pai e filho

Mãe e filha

Pai e filho

Pai e filha

Mãe e filha

Avó, mãe e filha

Ele assustava outras crianças na infância. Hoje todas se arrependem de terem zombado dele.

Jono Lancaster vive no Reino Unido. Ele é loiro, alto, trabalha como modelo e sofre da Síndrome de Treacher Collins, uma doença hereditária muito rara que provoca mudanças na estrutura facial. Jono tem o rosto com deformado e foi constantemente vítima de bullying na escola por conta disso. As crianças até mesmo saíam correndo de perto dele. Esta foi a parte mais sombria de sua infância e teve um efeito profundo nele.

Ainda assim, Jono cresceu com uma saudável dose de otimismo e não deixou que seu rosto deformado o deixasse para baixo. O sonho dele é inspirar outras pessoas, especialmente crianças, que tenham a mesma doença.

Em novembro de 2014 ele recebeu uma carta da mãe de um bebê. O pequeno Zackary, de 2 anos, também sofria da Síndrome de Treacher Collins. Tragicamente, Jono também ficou sabendo que Zackary só consegue sobreviver graças a um tubo plástico. A sua traqueia é tão apertada que ele não consegue respirar sem a ajuda do aparelho. E como se tudo isso não fosse o bastante, Zackary acaba de começar a perceber que tem a aparência diferente da de outras crianças da sua idade. A mãe de Zackary tem medo de que ele seja vítima de brincadeiras de mau gosto e deixado de lado pelas outras crianças no futuro. O pequeno Zackary precisa do máximo de otimismo que ele possa encontrar.

Para Zackary, Jono é um herói. Jono conseguiu algo que Zackary pode apenas sonhar: ele leva uma vida completa, feliz e saudável. Ele conseguiu se libertar dos fantasmas de sua infância - e quando as pessoas o encaram ele encara de volta com um olhar desafiador. A organização de caridade “Adelaide Now” ficou sabendo sobre Zackary e Jono e ofereceu ao britânico de 30 anos a oportunidade de viajar para a Austrália. Jono aceitou a oferta imediatamente e pegou o avião para encontrar Zackary. Quando os dois se encontraram, um sonho de Zackary se transformou em realidade. Os dois se deram bem desde o começo. Jono não visitou apenas Zackary, mas também outras crianças, de modo a conscientizar as pessoas quanto à condição de Zackary.

“Nós queremos atingir todos aqueles que dizem que nós não podemos fazer isso ou aquilo porque nós não temos valor. Se você acreditar em você mesmo e tiver uma atitude positiva você pode fazer o que você quiser.”

Jono deu esperança para Zackary. Ele decidiu se submeter a uma cirurgia no ano seguinte para alargar o diâmetro de sua traqueia, de modo que ele possa respirar sozinho. A operação é arriscada e complicada e, entre outras coisas, a mandíbula de Zackary precisará ser quebrada para que ela seja feita. Apesar disso, Zackary sabe:

“Quando você acredita em você mesmo e tem uma atitude positiva, você pode fazer qualquer coisa.”

A história de Zackary e Jono dá coragem a muitas pessoas que sofrem da mesma doença para encarar suas dificuldades diárias. O otimismo com o qual os dois enfrentam cada novo dia é extraordinário. Eu sinceramente não sei como enfrentaria uma situação dessas. Compartilhe esta bonita história com outras pessoas para mostrar como elas podem encarar situações similares com atitude e coragem.

TRICOTILOMANIA: Garota com condição de estresse rara fica careca de tanto puxar os próprios cabelos

A mulher acredita que o problema aconteceu após noite de bebedeira quando ainda tinha 14 anos.

Ruth, de 22 anos, começou a arrancar seu cabelo após um acidente traumático quando tinha 14 anos. Desde então, ele tira “tufos” de cabelo como uma forma de aliviar a ansiedade. Os episódios podem durar horas ou apenas alguns minutos.

Ela usa uma peruca de aproximadamente R$ 9 mil. “Minha mão está sempre perto do topo da minha cabeça, e eu arranco os cabelos enquanto estou dirigindo, trabalhando e comendo. Só não faço isso quando estou dormindo”, disse ela.

Ruth pretende acabar com essa sua “mania”. “Estou determinada a levar a melhor sobre minha condição. Eu estou doente e cansada de mentir para as pessoas”, disse ela, que poucas pessoas sabem que ela usa peruca por conta de seu problema.

Ela afirma que seu comportamento compulsivo começou aos 14 anos, quando ela foi involuntariamente drogada em uma noite com os amigos. “Eu tenho memórias esparsas de ter uma bebida, de deixar um pub e ir para casa com meu amigo. Isso é tudo que eu lembro daquela noite”.

Aos 15 anos, ela foi diagnosticada com tricotilomania, um distúrbio psicológico complexo que abrange as categorias de auto mutilação e vício. Ela ficou deprimida quando percebeu o que estava fazendo.

Cresce número de estudos que ligam câncer à radiação dos celulares

Uma matéria divulgada pelo site Digital Trends aponta que diversos médicos e pesquisadores da área de oncologia apostam numa ligação maior entre casos de câncer na cabeça e pescoço com a radiação emitida por modelos de smartphones que estão no mercado. 

Desde 2011, novos estudos surgiram apontando a radiofrequência como potencialmente cancerígena. Agora, a própria Organização Mundial da Saúde classificou os campos eletromagnéticos como "possivelmente cancerígenos para seres humanos". Um painel de 31 cientistas especializados de 14 países diferentes trabalharam em conjunto para a conclusão da OMS. 

Segundo a pesquisa, a radiação emitida por telefones celulares e outros dispositivos de comunicação sem fio deve ser colocada na mesma lista de risco para o ser humano em que estão inclusas substancias como chumbo, níquel e gasolina. 

A reportagem do Digital Trends ainda mostra que os principais estudos nessa área até 2011 foram patrocinados pelas grandes empresas de comunicações sem fio e que uma série de pesquisas independentes têm conclusões contrarias, comprovando o potencial cancerígeno dos smartphones.

Bactérias do intestino interagem até com o cérebro

Getty Images

Fundamentais para o bom funcionamento do organismo, elas podem ser a explicação para doenças como a obesidade e a asma

Leoleli Camargo , de Évian (França)

Alimentação: bactérias variam de acordo com a dieta e isso tem tudo a ver com a saúdeO que doenças como diabetes, alergia,síndrome do intestino irritável, obesidade eaterosclerose têm em comum? Bem mais do que se pode imaginar. Pelo menos é nisso que acreditam os pesquisadores de diversas áreas da medicina, da biologia e da nutrição, que estão reunidos até quarta-feira (28) em Évian (França) no Gut Microbiota for Health, o primeiro congresso mundial dedicado a discutir os impactos das bactérias que habitam o intestino na saúde humana.

Na última década, o estudo mais detalhado desse conjunto de ecossistemas formado por mais de mil espécies de micro-organismos que vivem em paz conosco (a maior parte do tempo) revelou fatos surpreendentes. Por exemplo: ao longo da vida, um ser humano abriga nada menos do que 100 trilhões de bactérias no organismo e produz perto de 25 toneladas de matéria orgânica formada a partir do trabalho dessas diminutas estruturas vivas.

Mas produzir matéria orgânica é apenas parte das funções. Hoje sabe-se que a microbiota do intestino - segundo os cientistas, esse é o nome mais correto para chamar a flora intestinal - exerce funções vitais na manutenção e na proteção do organismo e pode sim, contribuir para o surgimento de diversas doenças.

As bactérias do intestino conseguem digerir alguns carboidratos que o corpo sozinho não conseguiria. Elas também estão envolvidas na produção da vitamina K e são responsáveis pela formação do sistema imunológico - é no intestino que estão 70% das células do sistema natural de defesa.

Segundo cérebro

As colônias que habitam o trato intestinal interferem até na capacidade do corpo de processar remédios. "Para conseguir processar medicamentos, o corpo se valeu da habilidade adquirida ao processar as substâncias tóxicas que muitas bactérias produziam. Essa aptidão foi conquistada ao longo de milhares de anos em contato com as mais diversas espécies de micro-organismos" explica o gastroenterologista Fernando Azpiroz, do Hospital Vall d'Hebron, de Barcelona (Espanha).


Além de funcionar como uma barreira contra agressões externas, as bactérias do intestino estão em constante comunicação com mais de 100 milhões de neurônios conectados diretamente ao cérebro. Essa troca de informações, feita por meio de sinais químicos, regula diversos processos nervosos do corpo, entre eles a motilidade intestinal e a percepção de dor na região do abdome. Por conta dessa sofisticada interação, alguns cientistas já consideram a microbiota intestinal como um segundo cérebro, capaz de processar informações e interferir ativamente no sistema nervoso.

Sistema adquirido

Ao contrário de muitos sistemas do organismo que já estão prontos para funcionar desde o primeiro dia de vida, o sistema gastrointestinal humano vem ao mundo absolutamente livre de bactérias. Somente ao sair do ambiente estéril da placenta, o bebê tem o primeiro contato com bactérias. No parto natural, já há o contato com as bactérias existentes no canal vaginal da mãe. Depois disso, a criança vai sendo exposta a mais e mais micro-organismos na amamentação - no leite e no contato com a pele do seio da mãe - e na medida em que passa a interagir com o ambiente em que vive. E é justamente essa interação, explica o patologista James Versalovic, da Escola de Medicina de Baylor, no Texas (EUA), que nos deixa mais fortes e capazes de lutar contra doenças.

"Quanto mais diversa essa interação, melhor. Hoje sabemos, por exemplo, que quanto mais diversificada é a alimentação, mais variada é a microbiota do intestino. E uma microbiota variada protege melhor o organismo".

Pesquisas feitas em ratos desprovidos de bactérias no intestino mostraram que eles tinham uma enorme dificuldade para processar alimentos em comparação com ratos normais e precisavam de quantidades muito superiores de alimento para obter os nutrientes necessários para seguirem vivos.

Isso, creem os especialistas, seria um forte indicativo de que as bactérias do intestino estão envolvidas no surgimento da obesidade, ou seja, de que uma dieta pouco saudável poderia influenciar as bactérias do intestino a funcionarem de forma a favorecer o ganho de peso e o acúmulo de gordura. Igualmente, a interação desse sistema com diferentes fatores (ambiente, uso de antibióticos, baixa exposição a bactérias, etc.) poderia levar as bactérias aliadas a trabalharem "contra" o corpo, ocasionando doenças.

Uma das grandes preocupações de quem pesquisas essas bactérias é justamente a paulatina redução da exposição humana a elas. Para o pediatra francês Olivier Goulet, pesquisador e professor da Universidade de Paris-Descartes, os altos índices de parto cesariano, que privam o bebê das bactérias do canal vaginal, e as baixas taxas, de amamentação - sem ela, o bebê deixa de receber uma grande quantidade de bactérias importantes para a formação do sistema imune - estão deixando as novas gerações mais vulneráveis a doenças como asma e alergias.

Bactérias variam de acordo com a dieta

Como deixa de receber essas duas importantes exposições no início da vida, o sistema imunológico falha mais em responder a doenças e o organismo fica mais propenso a reações exacerbadas nas defesas.

"Em geral nós seres humanos somos bem feitos. A mecânica funciona direito e de forma sofisticada. O problema é quando deixamos de obedecer o curso normal da vida, que é a exposição natural a bactérias. O resultado, na maioria das vezes, não é positivo" diz Goulet.

Probióticos

Outro tema abordado pelos especialistas reunidos no congresso é a introdução de "bactérias do bem" na alimentação. Conhecidos como probióticos, esses micro-organismos interagem com o intestino e com as bactérias que vivem ali, ajudando a proteger o corpo de organismos prejudiciais à saúde. Ainda há muito a ser estudado, mas os pesquisadores já sabem, por exemplo, que os probióticos ajudam a tratar a diarreia aguda em crianças e também aquela ocasionada pelo uso de antibióticos.

Já existem diversas bactérias com propriedades probióticas à venda sob a forma de produtos lácteos e cápsulas. Nem todas, alertam os especialistas, têm seus efeitos cientificamente comprovados. Para separar o joio do trigo, é importante consultar um médico ou nutricionista.

A fronteira final, e um sonho ainda muito distante, é reproduzir a microbiota intestinal dentro do laboratório e usá-la para desenvolver novas formas de tratar diversas doenças, especialmente as que acometem o sistema gastrointestinal.

"Infelizmente, só conseguimos cultivar em laboratório 30% das bactérias que compõem a microbiota intestinal" lamenta o ecologista Joël Dore, que estuda o genoma das bactérias do intestino no Instituto Nacional de Pesquisas em Agricultura, da França.

Tribo isolada na Amazônia tem genes resistentes a antibióticos

Wikimedia Commons

Cientistas acreditam ter encontrado em índios Yanomamis a possível explicação para o surgimento de bactérias mais resistentes e também potenciais curas para diversas doenças

Diversidade bacteriana dos Yanomamis pode ter grande importância para várias condições de saúde

Pesquisadores descobriram que índios Yanomamis que vivem isolados no amazonas venezuelano carregam uma diversidade bacteriana nunca antes vista em grupos humanos. Segundo o estudo, os índios também apresentam genes resistentes a antibióticos conhecidos, inclusive genes que conferem resistência a drogas sintéticas.

Essa descoberta, feita a partir de amostras coletadas em 2009 e estudadas entre 2011 e 2014, pode abrir portas para novas terapias, já que algumas bactérias presentes em grandes quantidades nos Yanomamis demonstraram, previamente, efeitos benéficos para a saúde, como na prevenção da formação de pedras nos rins, por exemplo.

O fato de os Yanomamis não terem contato com povos ocidentais é o que mais desperta a admiração dos estudiosos. A microbiota dos índios - as bactérias que habitam o corpo, como as do intestino - é muito diversificada.

“As descobertas apontam para a possibilidade de que práticas modernas de culturas ocidentais estejam associadas à perda de diversidade bacteriana, e que genes resistentes a antibióticos podem ser uma característica natural da microbiota humana. Essa pesquisa levanta novas questões que são importantes para os pesquisadores explorarem”, disse a editora-chefe do periódico que publicou a pesquisa Journal of Science Advances, Philippa Benson, em conferência acompanhada pelo iG via internet.

Apesar de as bactérias naturalmente presentes no corpo exercerem um papel essencial na saúde, poucos estudos mostram a mudança das comunidades bacterianas de acordo com as diferentes dietas e estilos de vida ocidentais. Esse novo estudo pode ajudar cientistas a caracterizar esses micróbios associados ao corpo humano que sejam mais similares àqueles dos nossos ancestrais, e entender os benefícios que hospedar uma diversidade microbiana pode trazer.

Segundo Philippa, essas descobertas, a partir da informação de que os Yanomamis não foram expostos a antibióticos comerciais, são um mistério intrigante.

A condutora do estudo, Maria Dominguez Bello, explica que as bactérias do corpo humano têm um papel importante na fisiologia, inclusive na resposta imunológica, no metabolismo e até mesmo no comportamento.

“Até agora não sabemos até que ponto as nossas bactérias ocidentalizadas mudaram, em relação àquelas dos nossos antepassados”, disse a pesquisadora.

“Hoje temos muitas práticas antimicrobianas, como os nascimentos por cesárea, e o uso de antibióticos, sabonetes e produtos antibacterianos para higiene e limpeza”, diz. No entanto, ela ressalta que o mundo ainda abriga algumas populações remotas de caçadores ou grupos que vivem na era pré-antibiótica, similares àquelas em que viveram nossos ancestrais.

Sistema imunológico

José Clemente, pesquisador da Escola de Medicina Icahn, em Monte Sinai, Nova York (EUA), crê que essa diversidade bacteriana dos Yanomamis pode ter uma grande importância para várias condições de saúde, particularmente aquelas relacionadas ao sistema imunológico.

“Uma das maiores implicações dessa descoberta talvez seja que, mesmo a mínima exposição a práticas modernas, como no caso de outras comunidades que foram analisadas, pode resultar em uma queda drástica da diversidade bacteriana”, diz ele.


“Mais interessante ainda é que algumas das bactérias que enriquecem o povo Yanomami têm sido apontadas por trazer benefícios ao hospedeiro”.

Os cientistas também descobriram que a maioria dos Yanomamis carrega um pequeno, mas significante, nível de uma bactéria que está perto da extinção em outras populações. Essa bactéria já demonstrou ter uma ação protetora contra a formação de cálculos renais.

“Acredito que isso exemplifica muito bem a ideia de como as sociedades tradicionais que se adaptam ao estilo de vida ocidental estão perdendo muitos benefícios de hospedar uma rica diversidade bacteriana”, disse Clemente.

A causa da resistência dos genes a antibióticos não está totalmente esclarecida. Uma das hipóteses, segundo o pesquisador Gautam Dantas, é que essa resistência seja multifuncional ou plástica.

“Na verdade eles (os genes) podem ter outras funções naturais na bactéria. Mas, depois da exposição a antibióticos, podem ter sido reprogramados para fazê-las desenvolver essa resistência”, sugere Dantas.

“E isso faz sentido quando você considera que os antibióticos atingem os processos mais fundamentais e importantes da vida bacteriana. A parede celular produz proteínas essenciais que permitem a todas bactérias viverem”, completa.

Corpos mumificados na Hungira contam história da tuberculose

Cientistas rastrearam múltiplas cepas de tuberculose de volta para um único ancestral romano. Os resultados suportam estimativas científicas atuais que indicam que a tuberculose surgiu apenas 6.000 anos atrás. Teorias anteriores sugeriram que o micróbio ancestral era muito mais antigo, com talvez 70 mil anos de idade. O artigo foi publicado na revista Nature Communications.

Foram coletadas amostras de 26 dos 265 corpos naturalmente mumificados encontrados em uma cripta húngara do século 18, localizada em uma igreja Dominicana em Vac, na Hungria. A câmara funerária foi emparedada mais de 150 anos atrás e esquecida até ser redescoberta em 1994.

No momento da redescoberta, a cripta abrigava centenas de caixões pintados à mão que continham habitantes de Vac vestidos. As aparas de madeira e o ar seco no caixão (para absorver os fluidos corporais) podem ter ajudado o processo de mumificação e impedido que as roupas apodrecessem totalmente. As múmias agora residem no Museu de História Natural Húngaro.

Para determinar a origem da doença infecciosa, uma equipe de pesquisadores isolou o DNA bacteriano de várias cepas de tuberculose que infectaram 8 dos 26 corpos mumificados que eles estudaram. Eles encontraram 14 diferentes genomas de tuberculose. Surpreendentemente, os pesquisadores descobriram que muitos dos corpos abrigavam mais de uma estirpe de tuberculose, sugerindo que linhagens mistas eram comuns durante o pico da epidemia na Europa.

“A análise microbiológica de amostras de pacientes com tuberculose contemporâneos costuma relatar uma única estirpe de tuberculose por paciente”, disse o geneticista Mark Pallen, da Universidade de Warwick. “Por outro lado, cinco dos oito corpos em nosso estudo tinham mais de um tipo de tuberculose -notavelmente, em um indivíduo, obtivemos evidências de três linhagens distintas.”

Todas essas amostras pertenciam a M. tuberculosis Lineage 4, uma estirpe de tuberculose notória que responde por mais de um milhão de casos por ano. Historicamente, a tuberculose tem devastado a Europa desde os tempos pré-históricos, matando quase 1 em cada 7 pessoas no início do século 19.

Atualmente, ainda existem milhões de casos de tuberculose, com mais de 1 milhão de mortes em 2013, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Os cientistas dizem que a pesquisa é importante para traçar a história evolutiva da doença, bem como ajudar a derrotá-la nos tempos modernos. [IFLScience]

12 alimentos que você nunca deveria colocar na geladeira


Embora nós gostamos de tratar a geladeira como um refúgio seguro para todas as nossas comidas e bebidas, existem os alimentos que você não deve refrigerar. 

Colocar esses alimentos na geladeira não vai causar nenhum dano; no entanto, pode certamente causar um incômodo para o seu paladar e arruinar seu sabor. 

1. Azeite

Eu não tenho certeza se isso é classificado como um alimento ou como um ingrediente alimentar, mas mesmo assim, colocar azeite na geladeira tende a transformá-lo em uma consistência quase amanteigada e indigesta. Isso é mais comum com oliveiras e óleos de coco, que tendem a se solidificar em temperaturas mais frias e levar um longo tempo para se tornar líquido novamente. (Dica: Se você cometer este erro, colocar o azeite no microondas é a forma ideal de obter a consistência de volta).


2. Café

Na sua forma líquida ou em grãos, o café nunca deve ser armazenado dentro dos domínios da sua geladeira. O problema com o café é que é praticamente uma esponja com cheiros ao seu redor, por isso, se colocado na geladeira, o café começará a absorver qualquer cheiro que está ali e nunca vai voltar ao seu sabor inicial. 

3. Tomates

O maior problema com o armazenamento de tomates na geladeira é que a temperatura fria começa a mudar a textura e o torna farinhento. 

4. Cebolas

Como o tomate, cebolas tendem a se tornar incrivelmente “piegas” ou “bolorentas” se ficarem na geladeira por muito tempo. Se a cebola foi cortada, em seguida, as camadas iniciam o processo de secagem até mesmo se você embala-las com força. Além disso, quando as cebolas são cortadas, seu cheiro impregna no local. 

5. Batatas

A temperatura fria geralmente começa a quebrar o amido dentro de batatas; portanto, a refrigeração deixará você com uma batata doce ou arenosa, que raramente tem um gosto bom, não importa o que você faça com ela. 

6. Bananas

Esse é um item relativo. Uma vez que a temperatura fria dentro da geladeira tende a retardar o processo de amadurecimento, colocar uma banana verde em sua geladeira vai significar que ela vai demorar muito para amadurecer. 

Por outro lado, se você tem bananas maduras que estão prontas para serem comidas, mas não há planos de fazer isso agora, pode ser uma boa ideia colocá-las na geladeira. A casca pode ficar preta ou marrom, mas o fruto dentro permanecerá perfeito. 

7. Mel

Encontre um pode de mel de 1000 anos de idade e vai estar tão fresco como no dia em que foi armazenado. Colocar o mel na geladeira, no entanto, vai aumentar a velocidade da cristalização do açúcar, transformando a substância em algo quase massivo e horrível de comer. 

8. Alho

O alho gosta de sair muito rapidamente da geladeira. Ele pode ficar “emborrachado” quando muito tempo refrigerado. O pior é que ele ficará exatamente igual do lado de fora, então você nunca vai ser capaz de dizer se está bom até cortar e usá-lo em sua comida. 

9. Melão

É muito aconselhável armazenar várias frutas na geladeira uma vez que são cortadas; no entanto, isso não se aplica ao melão. Uma pesquisa mostrou que manter o melão em temperatura ambiente vai ajudá-lo a manter os níveis de antioxidantes intactos. 

10. Abacate

De modo parecido com a banana, colocar o abacate na geladeira vai fazê-lo praticamente congelar no tempo. 

11. Pães
A temperatura fria faz o pão envelhecer muito mais rapidamente.

12. Ervas frescas