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DNA pode prever com quem você vai casar

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© image/jpeg DNA – casamento

Nós buscamos quem é parecido conosco. Pessoas com alto grau de escolaridade, por exemplo, geralmente buscam parceiros com o mesmo nível de estudo e de social. Para a psicologia, isso acontece porque buscamos familiaridade e alguém que pense como a gente. Mas agora a genética também tem algo a dizer sobre a sua vida amorosa.

Um novo estudo da Universidade de East Anglia trouxe evidências genéticas de que também tendemos a nos relacionar com quem tem certas regiões do DNA parecidas com as nossas.

Os pesquisadores analisaram material genético de 1.600 casais no Reino Unido. Eles analisaram loci, os locais dos cromossomos em que ficam certos marcadores genéticos associados à educação. Fizeram isso baseados em estudos anteriores que mostram uma correlação entre a presença de determinados genes e um grau de escolaridade maior, por exemplo.

A primeira etapa do estudo foi ver se, de fato, esses marcadores genéticos refletiam o grau de escolaridade dos voluntários, confirmando os estudos anteriores. Depois, veio a parte realmente nova do estudo: eles pegaram esse mesmo locus mas, ao invés de comparar com a escolaridade da própria pessoa, compararam com a escolaridade do parceiro dela. E perceberam que as pessoas que tinham predisposição à alta escolaridade programada diretamente no seu código genético eram as mesmas que casavam com pessoas mais estudadas.

Esse resultado indica duas coisas: a primeira é que nosso DNA pode indicar com que tipo de pessoa teremos relacionamentos; e a segunda é que os parceiros tendem a ter marcadores genéticos parecidos no que se refere à educação. Resumindo: pessoas com predisposição genética a maior escolaridade se casam com pessoas que estudaram mais (e vice-versa, é claro).

Uma das preocupações dos pesquisadores é que o efeito social dessa “seleção genética” aumente a desigualdade. Funcionaria assim: as pessoas mais inteligentes e estudadas casariam entre si. Teriam filhos com chances maiores de predisposição genética à altos graus de escolaridade. Dessa forma, a “inteligência” e o sucesso intelectual e material ficariam cada vez mais concentrados em certos superclãs.

Outros estudos precisam ser realizados para apoiar uma teoria como essa, que coloca os genes no centro do destino humano, bem acima de outros fatores ambientais e sociais. E você: acha que seu diploma (e seu casamento) já vieram programados dentro das suas células?


Maconha ajuda a enxergar no escuro

(Thinkstock/)

Na Jamaica – e onde mais poderia ser? – um grupo de pescadores, sem nenhum equipamento, pescava com facilidade durante à noite, guiando seus barquinhos no breu. Eram todos fãs de cannabis.

A história atiçou a curiosidade de alguns pesquisadores locais, há mais de duas décadas. Outros relatos e experimentos com haxixe sugeriam que, de fato, a visão noturna melhorava em quem fumava maconha. Mas foi só em 2016 que a ciência conseguiu entender qual o mecanismo biológico por trás desse “superpoder”.

Para isso, pesquisadores do Instituto Neurológico de Montreal decidiram estudar girinos. Eles criaram uma cópia sintética da maconha e aplicaram a substância no tecido dos olhos de cada filhote de sapo. Depois, usaram eletrodos minúsculos para acompanhar como as células da retina dos bichinhos reagiam.

A experiência mostrou que substâncias presentes na maconha se prendem a receptores no nervo óptico dos girinos, diminuindo a concentração de cloretos dentro das células da retina. A consequência é que os olhos se tornavam mais sensíveis à luz, mesmo em lugares pouco iluminados.

Só essa descoberta já comprovou que os efeitos da maconha eram sentidos diretamente no olho e não no cérebro, como “parte da brisa”. Até aí, tudo bem, mas os pesquisadores queriam confirmar se o aumento de sensibilidade também melhorava a visão no escuro.

Em uma segunda etapa do estudo, eles colocaram os girinos em placas de Petri – metade deles “chapados”, e os demais sem maconha. No meio da placa, os cientistas adicionaram pontos pretos, que os girinos associam a predadores.

No experimento, eles observaram que os dois grupos se movimentavam do mesmo jeito com as luzes acessas: nadando livremente e evitando ao máximo os pontos pretos. Já quando diminuíram a iluminação, mudou tudo.

Sem enxergar os pontos pretos, os girinos sóbrios esbarravam neles com frequência. Já os bichos tratados com canabinóides seguiam desviando das ameaças com muito mais eficiência, mesmo sem luz.

Os resultados mostram que os pescadores jamaicanos não estavam só viajando, mas também enxergando melhor. E a descoberta abre espaço para que a maconha seja explorada para o tratamento de doenças na retina, como retinite pigmentosa. Hoje, nos EUA, a droga já é recomendada para casos de glaucoma, outro mal que afeta os olhos.

Para os pesquisadores, resta entender se é possível desassociar a visão noturna acima do normal com os outros efeitos recreativos da maconha – e com que frequência os candidatos a X-Men precisariam consumir a erva para manter o efeito sobre os olhos.

Texto publicado originalmente na Superinteressante

Ana Carolina Leonardi, da Superinteressante