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Merla

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ESSE ESPAÇO VISA UM MAIOR ESCLARECIMENTO SOBRE OS EFEITOS DAS DROGAS NO ORGANISMO HUMANO, TODO MATERIAL TRATA-SE DE MATÉRIA DE ESTUDO, SEM A MINÍMA APOLOGIA A QUALQUER TIPO DE DROGA, DÊ PREFERÊNCIA  A VIDA "NÃO USE DROGAS".

A junção das folhas da planta Erythroxylon coca, popularmente conhecida como coca ou epadú, com alguns solventes como ácido sulfúrico, querosene, cal virgem, entre outras substâncias, formam uma consistência pastosa, com odor forte e coloração entre amarelo e marrom, chamada de merla.


Numa pasta de merla existe cerca de 40 a 70% de cocaína presente, sendo considerada uma droga altamente perigosa, que causa dependência física e psicológica em seus usuários, além de provocar diversos danos ao organismo.

A merla pode ser fumada pura ou adicionada a cigarros de tabaco ou até mesmo de maconha, sendo absorvida rapidamente pelo pulmão. Assim que chega a este órgão, a merla atinge a circulação cerebral, e seus efeitos aparecem em torno de 10 a 15 segundos depois.

Os efeitos da droga são muito rápidos e intensos. Uma sensação intensa de prazer e euforia toma conta do indivíduo, que para sentir novamente estas sensações, volta a usar a droga inúmeras vezes. O nome para essa vontade constante e repetida de utilizar a droga chama-se "fissura", que é um desejo avassalador de sentir os efeitos do "prazer" provocados pela droga novamente.

As inalações de quantidades elevadas de merla levam o indivíduo a comportamentos violentos, aumento da irritabilidade, tremores, insegurança, alucinações e delírios. Além disto, nota-se que há um aumento das pupilas (midríase), o que prejudica a visão do usuário, como também dores no peito, contrações musculares, convulsões, taquicardia, coma e pode levar o indivíduo até mesmo a um óbito, devido à diminuição de atividade dos centros cerebrais que controlam a respiração.

Os efeitos da droga duram cerca de quinze minutos, sendo a primeira sensação a do bem-estar intenso e energia revigorada. Uma característica predominante no usuário da merla é a presença do cheiro forte de querosene, éter e outras substâncias, que o corpo exala na eliminação (pela transpiração intensa). Isto acontece devido aos produtos químicos adicionados durante a preparação da droga.

Geralmente a droga é consumida em grande parte por usuários com a faixa etária de 16 a 18 anos, prevalecendo mais em rapazes, onde o consumo é de cerca de 80%, e em 20% por mulheres. Devido a estes dados o uso da merla é relativamente fácil de ser identificado.

Infelizmente, o tratamento para os dependentes da droga é muito difícil e requer vigilância constante. Muitos não aguentam a síndrome de abstinência ou até mesmo a depressão causada pelo uso contínuo, o que leva cerca de 20% dos usuários ao suicídio.

Referências Bibliográficas:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Merla
http://portal.saude.gov.br/portal/sas/mental/visualizar_texto.cfm?idtxt=23169
http://www.antidrogas.com.br/merla.php


Os segredos do fígado

Para civilizações antigas, o fígado era o principal órgão do corpo, onde estavam a alma e as emoções humanas. Não obstante, é possível que até os maiores peritos do fígado na história tenham subestimado o alcance e a complexidade do órgão.

Um fígado sadio processa os alimentos que comemos para convertê-los em ingredientes para nossas células; neutraliza as muitas substâncias potencialmente daninhas que ingerimos de forma acidental ou deliberadamente; gera hormônios, enzimas, fatores de coagulação e moléculas imunitárias; controla a química sanguínea… e a lista continua.

“Se falham os pulmões, há ventiladores mecânicos que respiram por ti; se falham os rins, contamos com máquinas para diálise, e o coração realmente é sozinho uma bomba, assim é que podemos usar um coração artificial”, explicou a doutora Anna Lok, presidenta da Associação Americana para o Estudo das Enfermidades Hepáticas e diretora da Hepatologia Clínica na Universidade de Michigan.

“Entretanto, se falha o fígado, não há nenhuma máquina para substituir todas suas distintas funções, e a melhor opção é um transplante”.

Os pesquisadores de um estudo recente (*1) assombraram-se ao descobrir que o fígado aumenta e diminui de tamanho até em 40 por cento cada 24 horas, enquanto que os órgãos a seu redor ficam virtualmente iguais.

Os cientistas também têm descoberto que os hepatócitos, que são as células metabolicamente ativas que constituem 80 por cento do fígado, possuem características que não se encontram em nenhuma outra célula normal do corpo. Por exemplo, enquanto que a maioria das células têm dois conjuntos de cromossomos -dois conjuntos de códigos genéticos sobre como deveria comportar-se-, os hepatócitos podem envolver e manipular com destreza até oito pares de cromossomos e tudo sem fazer-se em pedaços nem se voltar cancerosas.

Os cientistas esperam que os novos conhecimentos sobre o desenvolvimento do fígado e seu desempenho ajudem a produzir novos tratamentos para os mais de cem transtornos que afligem ao órgão, muitos dos quais estão aumentando no mundo, culpa do incremento nas taxas de obesidade e a diabetes.

O fígado é nosso maior órgão interno, pesa ao redor de 1,6 quilogramas. A massa avermelhada marrom de quatro lóbulos de tamanho desigual se estende por todo o flanco superior direito da cavidade abdominal, por debaixo do diafragma e ainda por cima do estômago.

A maioria dos órgãos têm uma só fonte sanguínea. O fígado tem dois fornecimentos de sangue: a artéria hepática, que transporta sangue rico em oxigênio do coração, e a veia porta hepática, que deposita sangue drenado dos intestinos e o baço. Este último tipo de sangue leva produtos alimentícios semi processados que precisam ser “massageados” pelo fígado para sua conversão, desintoxicação, armazenagem, secreção e eliminação.

“Tudo o que se coloca na boca deve passar pelo fígado antes de que faça algo útil em outras partes do corpo”, disse Lok.

Trechos de artigo do New York Times escrito pelo NATALIE ANGIER – 15 de junho de 2017
Via: Hepato

Sacudir bebês pode causar lesões cerebrais e deixar sequelas

Sacudir bruscamente o bebê para frente e para trás pode trazer hemorragias cerebrais, convulsões e sequelas para a vida toda

Pegar no colo e balançar não é um problema: entenda as diferenças (Foto: Thinkstock)

Chacoalhar os bebês parece algo inocente e até corriqueiro, mas, dependendo da situação, esse hábito pode ser prejudicial para a saúde deles, quando o movimento resulta na síndrome do bebê sacudido. Em geral, isso acontece em casos extremos, quando a criança sofre agressões em um momento de descontrole de quem está cuidando dela e a balança com força pelos braços, num movimento para frente e para trás sem apoio da cabeça.

“O bebê pequeno tem a cabeça maior que o corpo, com o pescoço mole, sem a musculatura bem desenvolvida. Por causa dos movimentos bruscos, de extrema aceleração e desaceleração, podem ocorrer lesões cerebrais”, diz Márcia Sanae Kodaira, pediatra do Hospital Santa Catarina (SP).

Isso pode acontecer mesmo quando não há a menor intenção dos cuidadores. Um dos exemplos é de quando o bebê engasga e, no desespero, os pais o sacodem para que volte a respirar normalmente. A maneira mais indicada para ajudar a criança a soltar o leite é virá-la de lado ou colocá-la de bruços sobre o antebraço, levemente inclinada para baixo. Nunca balance-a com força.

As sequelas podem ser transitórias ou definitivas. Segundo a especialista, muitas crianças podem ter retardo de desenvolvimento neuropsicomotor, surdez e até lesões oftalmológicas sem que o diagnóstico seja relacionado às sacudidas bruscas. Em 30% dos casos, o bebê pode morrer.

Mas mantenha a calma e não confunda! A síndrome do bebê sacudido não tem nada a ver com as brincadeiras que você faz com o seu filho, com o embalar nos braços, num balancinho para bebês ou as chacoalhadas que o carrinho faz ao caminhar pelas ruas. O que pode levar à sindrome é o movimento brusco.


O problema é mais comum entre bebês de até 1 ano, especialmente entre 5 e 9 meses. Segundo a pediatra Josineide Ramos, do Hospital Adventista Silvestre, na maioria dos casos, a síndrome do bebê sacudido se origina de episódios de violência, sobretudo quando se quer calar o choro da criança. Mas qualquer movimento que faça a cabeça pender para frente e para trás é perigoso.

— A lesão pode ser pequena, passar despercebida na hora e as consequências virem com o tempo, como déficit de aprendizado — diz Josineide.

Em situações graves, ou seja, quando o dano cerebral é maior, a criança apresenta alterações de comportamento — em geral, nas seis primeiras horas após o sacudimento —, o que pode incluir vômitos, perda de consciência, sonolência excessiva e convulsões.

De acordo com o pediatra Antonio Carlos Turner, coordenador da pediatria do Hospital Balbino, pequenos com suspeita de síndrome do bebê sacudido devem ser levados ao médico e reavaliados nos dias seguintes.

— Sacudir o bebê também traz risco de lesões na região cervical da coluna, o que pode deixar sequelas de paralisia — diz o especialista.

Psilocibina

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A psilocibina é um alcaloide com estrutura análoga a da serotonina. Possui atividade alucinógena, produzindo efeitos como alucinações e distúrbios sensoriais, sendo encontrada em determinadas espécies de cogumelos. Utilizada desde os tempos ancestrais em rituais, tendo relatos de mais de 3000 anos. Foi extensivamente utilizada na década de 1960, quando acontecia o movimento hippie.

No Brasil existem diversas espécies de cogumelos com propriedades alucinógenas, sendo que a maioria pertence aos gêneros Pcilocybe, Panaeolus e Pluteus, que possuem alcaloides indólicos derivados do triptofano, como a psilocibina.

Psilocibina e sua composição química
De sentimentos de bem estar a sensações de pânico e alucinações perturbadoras, a psilocibina também é conhecida como “cogumelos mágicos”, sendo frequentemente utilizada como droga de abuso, possuindo efeito semelhante ao LSD (dietilamida do ácido lisérgico).

Uma vez ingerida, a psilocibina (O-fosforil-4-hidróxi-N,N-dimetiltriptamina) é hidrolisada, seu metabólito psicoativo, que possui estrutura molecular análoga a da serotonina. Com isto, é considerada um agonista da serotonina, que ao se ligar aos receptores específicos deste neurotransmissor, culminam na ativação de suas respostas, porém mais profundas que podem incluir alucinações visuais e distúrbios sensoriais, como aquelas observadas em pacientes com esquizofrenia. Esses receptores se encontram distribuídos pelo sistema nervoso central, porém apresentam maior concentração no córtex pré-frontal, cuja área está envolvida com a regulação do humor, cognição e percepção.

Alguns estudos também demonstram que a psilocibina aumenta os níveis de dopamina estriatal, resultando em euforia. Porém, mesmo atuando nestes sistemas, a psilocibina não está relacionada a produção da dependência química à droga.

Os efeitos alucinógenos da psilocibina geralmente aparecem após 15 a 45 minutos de sua ingestão, que pode se dar na forma de chá, bem como desidratado e moído sendo consumidos diretamente ou em cápsulas. Os sintomas se iniciam com prováveis desconfortos gástricos, que podem levar ao vômito, e leves tonturas. Após, há uma sensação de bem estar que pode evoluir para alucinações visuais, perdendo a noção da realidade. Esses efeitos podem ter duração de 4 a 6 horas, havendo relatos de sintomas de alterações na percepção sensorial e de pensamentos que perduraram por dias.

Características envolvendo desde a espécie e origem do cogumelo, até as relacionadas ao cultivo e período da colheita podem determinar a sua potência. A forma como é ingerido é outro fator determinante, já que cogumelos secos podem conter até 10 vezes mais substâncias ativas, quando comparados aos frescos.

A psilocibina vem sendo estudada desde a década de 1960 em aplicações médicas, especialmente em condições psiquiátricas como a esquizofrenia e transtornos de personalidade. Estudos já comprovaram seus efeitos positivos no tratamento do transtorno obsessivo compulsivo (T.O.C), além da enxaqueca crônica, conseguindo atenuar a dor. Atualmente, pesquisas mostram seu potencial efeito benéfico no alívio da ansiedade de pacientes em terapia antitumoral, conseguindo melhorar o ânimo abalado desses indivíduos.


Algumas características relacionadas ao usuário podem determinar os efeitos que serão observados frente ao uso dessa substância. Com isto, pacientes mentalmente instáveis ou ansiosos tendem a experimentar os efeitos considerados ruins. Dentre os efeitos gerais mais relatados, estão:

Alterações visuais, especialmente das cores;
Confusão e desrealização;
Sentimentos de alegria (euforia);
Tranquilidade;
Sinestesia;
Tontura e sonolência;
Dilatação das pupilas (midríase);
Alterações gastrointestinais (náuseas e vômitos).

O tratamento da intoxicação por espécies psilocibínicas visa controlar os sintomas, já que geralmente não são letais. Para este fim, medicamentos benzodiazepínicos podem ser conduzidos a fim de controlar a hipertensão, agitação e alucinações, assim como as fenotiazinas (clorpromazina) podem ser utilizadas para controlar surtos psicóticos.

Atualmente, a psilocibina e seu metabólito ativo, a psilocina, fazem parte da Lista de Substâncias Psicotrópicas de uso proscrito no Brasil, segundo a portaria 344/98 (ANVISA).


Codeína

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A codeína, também conhecida como metilmorfina, é um alcaloide isolado das cápsulas da semente imatura da papoula, Papaver somniferum. Foi primeiramente isolada por Robiquet, em 1832.

Com o isolamento da morfina, realizado em 1803, e sua estrutura química proposta em 1925, várias pesquisas envolvendo modificações moleculares passaram a ser realizadas, com o objetivo de obter analgésicos superiores. Esses trabalhos resultaram na inserção de uma série de derivados da morfina na terapêutica, dentre eles a codeína, porém nenhum que seja isento da capacidade de promover a dependência.


Classificação
Trata-se de um fármaco alcaloide opiáceo, já que sua extração é feita a partir do ópio, um líquido leitoso presente na papoula, da qual se pode extrair outras substâncias, como a morfina. As drogas são chamadas de opiáceos naturais quando não ocorrem modificações em sua estrutura química, como a morfina e a codeína. A partir de modificações moleculares realizadas nos opiáceos naturais, essas drogas passam a ser chamadas de opiáceos semi-sintéticos, como a heroína, obtida através de seu protótipo, a morfina. Com isto, a codeína também pode ser obtida pela via semi-sintética, através de simples modificação química da morfina, dita metilação.

A codeína é considerada um pró-fármaco clássico, ou seja, é administrada em sua forma inativa, apenas se convertendo em forma ativa após sofrer metabolização hepática no organismo. Isso lhe confere um aumento na biodisponibilidade e prolongamento da duração de ação, além de redução da toxicidade.

Propriedades farmacológicas
A codeína possui propriedades hipnoanalgésicas, ou seja, produzem efeito hipnótico, induzindo ao sono, e efeito analgésico, sendo capaz de deprimir seletivamente o Sistema Nervoso Central (SNC) e aliviar a dor. Devido aos efeitos apresentados, essas drogas também podem ser chamadas de narcóticas.

A partir de modificações químicas, sua ação hipnoanalgésica é diminuída, possibilitando sua aplicação como antissugíneno.


Indicação
É indicada para alívio da dor moderada, bem como para suprimir a tosse. É bem tolerada quando administrada por via oral, com meia-vida de 3-6 horas. A dose deve ser administrada de acordo com a sensibilidade de cada indivíduo.

A codeína possui uma menor propensão em causar dependência, frente aos demais analgésicos opióides, mas isto não a exclui do risco. Sendo assim, é comercializada somente sob a retenção da receita médica.


Mecanismo de ação
Age por meio da ligação aos receptores específicos, localizados no SNC, alterando processos relacionados com a percepção da dor. Atua como um agonista da morfina, em receptores opióides. Possui maior afinidade pelos receptores µ (mu) e, normalmente menor afinidade pelos receptores δ (kappa) e κ (delta).

Também diminui a liberação de neurotransmissores dos nervos aferentes sensitivos aos estímulos da dor.

Como antissúgeno, atua inibindo o centro da tosse, que passa a não reagir frente aos estímulos.


Reações adversas e precauções
Em doses terapêuticas pode causar constipação (sendo por isto usado em certos quadros de diarreia) e sonolência. Em menor frequência, depressão respiratória, edema, confusão mental, sensação de boca seca, perda de apetite, náuseas, além de outros sintomas. A codeína não induz a euforia.

A liberação de histamina dos mastócitos pode provocar hipotensão, broncoconstrição, rubor da face, coceira e respiração ofegante.

O abandono do tratamento deve ser realizado sob supervisão médica, pois podem aparecer sintomas da síndrome de abstinência.

A superdosagem pode causar depressão respiratória, podendo ou não haver depressão do SNC, sonolência, vômito, hipotensão e demais sintomas. Nesses casos, o procedimento médico visa controlar esses sintomas e fazer uma lavagem gástrica, podendo ser administrado um antagonista opióide, a naloxona.

Neonatos possuem difícil metabolismo, podendo haver aumento da depressão respiratória. Com isto, é contraindicado em crianças menores de 2 anos, durante a gravidez e amamentação, bem como em casos de depressão respiratória aguda.


Referências bibliográficas:
KOROLKOVAS A; BURCKHALTER J.H. Química Farmacêutica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1988.

CHUNG M. C.; FERREIRA E.I. O processo de latenciação no planejamento de fármacos. Química Nova. 1999, vol.22, n.1 [cited 2011-09-02], pp. 75-84. Disponível em <http://www.scielo.br/pdf/qn/v22n1/1141.pdf>, acesso em 06/09/2016.

ASPECTOS QUÍMICOS E FARMACOLÓGICOS DA CODEÍNA. III SIMPÓSIO DE CIÊNCIAS FARMACÊUTICAS. Disponível em <http://www.saocamilo-sp.br/novo/eventos-noticias/simposio/14/SCF019_14.pdf>, acesso em 06/09/2016.



Graduação em Farmácia e Bioquímica (Uninove, 2010)

7 Mitos e curiosidades da medicina que confundem até alguns médicos

Conheça alguns mitos e curiosidades bem comuns e que até mesmo alguns médicos ainda acreditam, baseados em um estudo publicado em 2007 na Grã-Bretanha, e que levantou questões cotidianas e passaram a confundir até mesmo muitos médicos no mundo todo:


Mito 7: Devemos beber pelo menos 2 litos de água diariamente
Esse é um mito famoso, não só entre os médicos. É sempre recomendado pelo fato de que ajuda a manter o organismo hidratado e manter uma boa saúde.

Entretanto, não existe, de fato, nenhuma comprovação médica de que o nosso corpo precise de doses tão altas de água em tão curto espaço de tempo.

Na verdade, o nosso organismo precisa de 2 litros de fluído, que também se refere a outros tipos de bebida, incluindo frutas, verduras e alimentos que possam suprir a necessidade específica de água.

Mito 6: Celulares são perigosos dentro de hospitais
Há um pouco de verdade aí, mas essa história é vista com certo exagero.

Foi comprovado que os aparelhos celulares podem afetar o funcionamento de cerca de 4% dos equipamentos em um hospital, mas só se estiverem a menos de 1 metro de distância do aparelho. Não sendo assim, não há perigo de danos no uso de celular dentro de um hospital.

De qualquer forma, se estiver em alguma área de um hospital e for solicitado a desligar o aparelho, é melhor respeitar o local e evitar problemas, não é?

Mito 5: Raspar os pelos os fazem crescer mais grossos, crespos, duros e mais rapidamente
Mais um mito muito famoso, e que pelo visto preocupa mais ainda às mulheres.

Um estudo realizado no ano de 1928 propôs a comparação entre pelos raspados com frequência e pelos deixados para crescer, e logo constatou-se que não há nenhuma diferença.

O que causa essa falsa impressão de que o pelo está nascendo mais grosso é que quando se tem o hábito de raspar frequentemente, o processo desgasta apenas as pontas da barba ou pelos em geral.

Aqueles que não deixam crescer muito e só veem a ponta dos pelos costumam crer que eles estão crescendo mais grossos e duros que o normal.

Mito 4: Cabelos e unhas podem crescer mesmo após a morte
Esse é pra deixar qualquer um assustado, menos a física. Talvez exista algum caso em que isso possa ter ocorrido, mas cientificamente é impossível.

Quando um indivíduo morre, a pele sofre alterações, ou em outras palavras, o tecido da epiderme se retrai e encolhe, de modo que deixa em maior evidência os cabelos e as unhas, o que causa a falsa impressão de que mesmo após a morte as unhas e os cabelos continuaram crescendo.

Mas vamos voltar a falar de mais um mito sobre vivos:

Mito 3: Ler no escuro prejudica a visão
Este talvez seja um dos mitos mais espalhados. É certo que não há evidências científicas que comprovem que a baixa luminosidade de um ambiente em conjunto com a leitura possa de alguma forma causar danos permanentes aos olhos, ou como dizem as mães: “Estragar as vistas”.

No máximo, devido ao esforço, os olhos podem ficar cansados e aparentar certo desconforto, mas após um bom descanso, já estará bom e preparado novamente.

Mito 2: O melhor tipo de parto é a Cesariana
No século XX, a realização de um procedimento cirúrgico como método alternativo ao doloroso parto normal foi bem aceito pelas mães e médicos obstetras daquela época, era o parto Cesariana.

Só que este procedimento é, no entanto, arriscado e pode viabilizar as chances de infecções e complicações cirúrgicas, o que pode por em risco a saúde da mãe.

O ideal é apenas optar pela cesariana quando for medicamente confirmado que existem riscos para o parto normal, tanto para o filho quanto para a mãe.

Mito 1: Os seres humanos usam a apenas 10% da capacidade do cérebro
Com certeza nossos amigos Radiologistas não caíram nessa. Diversos estudos realizados através de ressonâncias magnéticas e tomografias computadorizadas vasculharam de forma minunciosa cada área do cérebro humano e chegaram a conclusão de que não existem partes inativas em nosso cérebro, pior ainda 90% dele.

Toda área do cérebro tem uma função e não para de trabalhar nem mesmo quando estamos dormindo. Ao que parece, pesquisadores afirmam que este mito surgiu no século XX, quando alguns programas incentivavam as pessoas a estimular mais o seu intelecto.

Contudo, há uma diferença entre “capacidade do cérebro” e “uso da massa encefálica como um todo”. Até hoje, o cérebro ainda é um dos mistérios mais intrigantes para a ciência, e tratando-se de desenvolvimento humano, basicamente não é a quantidade de neorônios “em uso” ou mesmo o tamanho da massa encefálica como um todo que definem a capacidade do cérebro em si.

Do ponto de vista humano como um ser em constante desenvolvimento desde o seu nascimento, isso pode estar ligado à uma infinita série de fatores, internos e externos, partindo de cada experiência vivida, passando pela percepção, cognição, o meio e as condições em que vive, fatores biológicos, sociais, econômicos, religiosos, até mesmo o humor momentâneo ou qualquer outro fator que proporcione uma co-relação alternativa com uma experiência.

Fonte: Digitalmed

Por que a ciência curou só uma pessoa do HIV?

© Reprodução

Em 2007, um jovem americano vivendo em Berlim se tornou uma maravilha moderna da medicina quando, 12 anos depois de ser diagnosticado com HIV, viu o vírus de repente desaparecer de seu corpo. Timothy Ray Brown havia sido diagnosticado com leucemia e recebeu um tratamento de transplante de célula-tronco para tratar a condição. Acontece que seu doador de célula-tronco tinha uma mutação genética rara conhecida como CCR5-delta 32, que deu a Brown resistência à sua infecção por HIV. Brown ficou conhecido como "o paciente de Berlim". Dez anos depois, ele ainda é a única pessoa a ter sido curada do HIV.

Apesar de avanços incríveis na biomedicina, uma verdadeira cura para o HIV segue fora de alcance. Drogas antirretrovirais transformaram o HIV em uma condição manejável em vez de uma sentença de morte. Mas o HIV se integra permanentemente no genoma de uma célula infectada e então se esconde, dormente, no corpo, tornando quase impossível sua erradicação. Desde a década de 1980, pesquisadores têm tido esperança de que a terapia genética, na qual o material genético do corpo é alterado, possa oferecer uma nova rota no tratamento do HIV e talvez até uma cura. O caso de Brown deixou muitos no campo otimistas, mas os cientistas ainda estão perplexos em relação a como sua cura funcionou.

Um novo estudo publicado na terça-feira (26), na PLOS Pathogens, mostra uma nova rota potencial para curar o HIV — embora também destaque as dificuldade extremas que os pesquisadores enfrentam.

"Nós só curamos um paciente efetivamente", Scott Kitchen, autor principal do estudo da UCLA, contou ao Gizmodo. "Mas isso oferece muita esperança."

No novo estudo, os pesquisadores tiraram uma página do tratamento de Brown, esperando estimular o sistema imune do corpo com células-tronco projetadas para combater o HIV. Primeiro, células-tronco formadoras de sangue foram projetadas para carregar genes que transformam as células em assassinos direcionados, capazes de detectar e destruir células infectadas por HIV quando elas aparecem no corpo. A técnica funciona ao tomar de assalto a mesma molécula, a CD4, que permite ao HIV se ligar à superfície de uma célula, usando a molécula como um sinal para fazer a ligação com o HIV e matá-lo. Então, essas células-tronco são colocadas em corpos de dois primatas por meio de um transplante de medula óssea. É uma forma de tratamento conhecida como imunoterapia CAR-T.

"O HIV danifica a resposta imune celular — é isso que o torna tão eficaz", disse Kitchen. "Portanto, para eliminá-lo efetivamente, precisamos de uma resposta imune efetiva. Estamos fornecendo isso."

O CAR-T se mostrou promissor no tratamento do HIV anteriormente, porém, com essa nova abordagem, os pesquisadores descobriram que os corpos dos primatas continuavam produzindo as células expressadoras de CAR por mais de dois anos depois da infusão inicial sem efeitos adversos. Isso sugere o potencial para uma solução a longo prazo que poderia reduzir a dependência de uma pessoa em medicamentos antivirais e potencialmente até para erradicar completamente o HIV do corpo, atacando mesmo o HIV dormente nas reservas do corpo sempre que ele despertasse novamente.

"Acreditamos nisso como um componente para uma cura, usado junto com algo como a terapia antirretroviral", afirmou Kitchen. "Isso mostra que uma cura é efetivamente possível."

Recentemente, houve outros avanços promissores na eliminação do HIV, mas, até agora, os pesquisadores tiveram sucesso principalmente em curar o HIV em ratos. Neste ano, cientistas da Universidade Temple usaram o CRISPR para eliminar DNA de HIV de ratos por meio de edição de genes. Vários testes clínicos estão sendo realizados na tentativa de curar humanos com HIV por meio de combinações de terapias genéticas e de células-tronco, mas não está claro se alguma delas vai, de fato, funcionar a longo prazo (também neste ano, um biohacker injetou uma cura de HIV caseira em si mesmo, embora seja altamente improvável que essa abordagem vá funcionar).

Tecnologias como a edição genética tornaram a busca por uma cura para o HIV parecer possível, mas ainda existem muitos obstáculos técnicos no caminho. Uma verdadeira cura pode estar ainda muito distante.

O maior obstáculo na criação de uma cura é fazer algo que dure o bastante para combater as reservas persistentes do vírus no corpo. É esse o problema que a pesquisa da UCLA estava tentando resolver. Mas para chegar lá, os cientistas precisarão melhorar a capacidade de editar células dentro do corpo de um paciente, em vez de removê-las, editá-las em um laboratório e então reinseri-las no paciente. Também existe espaço para melhorar nossa capacidade de localizar genes que precisem ser manipulados, que estão espalhados pelo corpo. E para complicar ainda mais as coisas, pelo fato de o HIV desenvolver resistência a tratamentos, até mesmo o CRISPR, uma combinação de terapias provavelmente é o que terá mais sucesso.

Neste ano, uma pesquisa da Foundation for Aids fez um pedido por propostas para resolver esses obstáculos.

"A disponibilidade de ferramentas e alvos sugere que projetar uma intervenção terapêutica de gene para curar o HIV é, sem dúvidas, mais uma questão de tecnologia do que de descoberta", escreveu Rowena Johnson, diretora de pesquisa da fundação, em um estudo à época. "Entretanto, a viabilidade da abordagem ainda é um grande obstáculo. O cronograma, o custo e a complexidade de se testar terapia de genes na clínica são formidáveis."

Até agora, houve muito otimismo na utilização de terapia de gene para tornar as células do corpo imunes ao HIV. Nessas abordagens, o vírus é impedido de entrar em uma célula em primeiro lugar. É uma tarefa mais fácil, porque não exige lidar com o problema de um vírus dormente que desperta depois de um longo período. Vários testes clínicos para esses tipos de terapias também estão acontecendo.

"Brown foi apenas um caso extraordinário", disse Kitchen. "Ele passou por dois transplantes de medula óssea. Isso normalmente mataria uma pessoa. E ainda não sabemos como isso funcionou exatamente."

No caso da nova pesquisa da UCLA, o maior obstáculo é descobrir o jeito mais eficaz de transplantar o menor número de células-tronco possível para dentro do corpo de um paciente infectado. Idealmente, afirmou Kitchen, eles gostariam de desenvolver algo como uma vacina, que não exige um procedimento invasivo como o transplante de medula óssea, mas, por enquanto, essa ideia é muito "ficção científica". Ainda assim, Kitchen diz, testes clínicos para sua nova abordagem provavelmente devem acontecer daqui a dois ou três anos.

Uma cura pode não estar tão próxima, mas, pela primeira vez, está começando a surgir no horizonte.

Imagem do topo: CDC
Kristen V. Brown