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Fumar durante a gravidez altera o DNA do feto, diz estudo

Jonathan Alcorn/Files/Reuters

Cigarros: próximos passos nesta investigação serão novas análises genéticas

Da EFE

Washington - Um estudo publicado nesta quinta-feira pela revista "The American Journal of Human Genetics" revelou que fumar durante a gestação modifica o DNA do feto, o que poderia explicar seu vínculo com determinadas complicações na saúde dos bebês.

Em um questionário, as mães tiveram que responder se fumaram frequentemente, ocasionalmente ou nada durante a gravidez. Em seguida, uma equipe internacional de pesquisadores analisou o DNA de 6.685 recém-nascidos e o comparou com o consumo de tabaco de suas mães, em um dos estudos mais completos já realizados sobre este tema.

Os cientistas, que conseguiram mostras do DNA dos bebês através do sangue do cordão umbilical, identificaram nos filhos das mães fumantes com frequência 6.073 pontos onde o DNA tinha sido modificado se comparado aos bebês de mães não fumantes. Além disso, determinaram que essa coleção de genes está relacionada ao desenvolvimento dos pulmões e do sistema nervoso, com cânceres vinculados ao tabagismo e com defeitos de nascimento, como o lábio leporino.

Em uma análise separada, muitas dessas alterações do DNA estavam presentes em crianças mais velhas cujas mães fumaram durante a gravidez.

"Já sabíamos que o lábio leporino está relacionado ao fato de fumar durante a gestação, mas ainda não sabemos por que. A modificação química do DNA talvez esteja envolvida de alguma maneira nesse processo", explicou Sthepanie London, a principal autora do estudo e médica dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH).

Os próximos passos nesta investigação serão novas análises genéticas para compreender melhor como as remodelações químicas do DNA podem influir no desenvolvimento da criança e em futuras doenças.

Cientistas conseguem remover HIV de células infectadas com edição genética

(Foto: reprodução)

Cientistas da Universidade Temple, nos Estados Unidos, utilizaram uma ferramenta de edição genética e conseguiram remover o genoma do HIV-1 das células imunológicas de um paciente infectado com o vírus da AIDS.

Para o feito, os pesquisadores usaram a ferramenta CRIPSR/Cas9, que normalmente é vista como uma maneira de evitar doenças genéticas ou introduzir novos genes. No entanto, a pesquisa mostra uma nova forma de uso, que é remover o código genético de vírus como o HIV das células de seus hospedeiros, conforme o artigo publicado na revista Nature.

Para dar um pouco de contexto: retrovírus como o HIV injetam seu código genético nas células do hospedeiro, e, assim, elas se replicam. Os medicamentos retrovirais que existem hoje são bastante eficazes em controlar esta replicação, mas, assim que o paciente para de tomar o remédio, o vírus volta a se multiplicar rapidamente, atingindo o sistema imunológico.

Neste experimento, o geneticista Kamel Khalili e seus colegas extraíram as células T, que são os glóbulos brancos responsável pelo combate a agentes desconhecidos no corpo, de um paciente infectado. Em seguida, o CRISPR/Cas9 adaptado para atingir o DNA do HIV-1 fez seu trabalho. O RNA guia analisava o genoma da célula T procurando pelo material viral, e, assim que uma combinação era observada, uma enzima removia o material danoso. Então, o DNA da célula reparava o material removido com sucesso.

Nos testes, feitos em pequena escala, em uma Placa de Petri, removeu permanentemente o DNA viral da célula. Além disso, pelo fato de o sistema permanecer dentro da célula, novas infecções foram repelidas quando o vírus tentou retornar, partindo das outras células que ainda estavam infectadas.

Isso dá a entender que o método poderia ser usado como um possível tratamento da doença, mas isso ainda pode demorar vários anos. Os testes precisam feitos para determinar se a técnica pode ser tóxica para humanos, ou se há algum efeito colateral na edição genética.

Teste com pílula do câncer em humanos é liberado

Divulgação
Pílula do câncer: na fase inicial do estudo, dez pacientes serão submetidos ao teste de segurança de dose

Paula Felix, do Estadão Conteúdo

 O protocolo de pesquisa com a fosfoetanolamina sintética, substância conhecida como "pílula do câncer", foi aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa do Conselho Nacional de Saúde (Conep/CNS).

A substância se apresenta com potencial para curar o câncer, mas ainda não foi testada em seres humanos e não tem liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser usada como medicamento.

A aprovação do órgão é necessária para a realização de testes em seres humanos utilizando a fórmula.

Segundo a Conep, a liberação foi feita no último dia 4, e, após a análise de todo o protocolo de análises clínicas, a comissão sugeriu apenas que "não haja limitação de ressarcimento ao participante da pesquisa", referindo-se à verba utilizada para transporte e alimentação dos pacientes.

A Secretaria Estadual da Saúde informou que "não foi notificada sobre a aprovação e aguarda o parecer da Conep, inclusive, para saber se todos os requisitos para o desenvolvimento do protocolo de pesquisa foram atendidos".

Testes

Desenvolvida pelo professor aposentado Gilberto Chierice, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos, a fosfoetanolamina sintética tem sido o centro de polêmicas após relatos de que seria capaz de curar pacientes com câncer.

Durante anos foi distribuída gratuitamente, mas, até o momento, não há comprovação científica de que tem eficácia.

Em dezembro do ano passado, a Secretaria Estadual de Saúde anunciou que os testes com a substância seriam realizados em quatro hospitais de referência, entre eles o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), com a participação de até 1 mil pacientes.

O investimento informado na época foi de R$ 2 milhões.

Na fase inicial do estudo, dez pacientes serão submetidos ao teste de segurança de dose.

Caso eles não apresentem efeitos colaterais, grupos de 21 pacientes para cada tipo de câncer selecionado vão tomar a pílula.

Dez tipos de câncer serão submetidos ao tratamento com a substância: cabeça e pescoço, mama, colo uterino, próstata, estômago, fígado, pulmão, pâncreas, melanoma, cólon e reto.