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Norovírus

O norovírus é um tipo de vírus que pode ser transmitido através da ingestão de alimentos crus manipulados por mãos infectadas. O norovírus é o principal causador de gastroenterite em adultos na América do Norte, sendo responsável por mais de 90% dos surtos. Epidemias localizadas ocorrem quando grupos de indivíduos passam um período de tempo em relativa proximidade física num local confinado, como em cruzeiros, hospitais ou restaurantes. Os indivíduos podem permanecer infectados mesmo depois da diarreia ter cessado.


Transmissão

A principal via de transmissão é a fecal oral através do contato pessoa a pessoa. O norovírus é extremamente infeccioso e possui uma resistência que o permite permanecer sobre superfícies que receberam contato de pessoas infectadas, tornando a partilha de objetos e espaços coletivos um problema. Pode ser transmitido também por meio de água contaminada e a infecção está fortemente associada a maus hábitos de higiene.


Sintomas

O norovírus é também um dos principais causadores de gastroenterites virais no Brasil,

os sintomas mais comuns são vômito, diarreia, febre e dores abdominais e de cabeça.

Prevenção

Para prevenir basta tomar cuidados com a higiene pessoal tal como lavar bem as mãos e manter os locais limpos.


Vírus de Coxsackie

Vírus de Coxsackie ou Coxsackievirus é parte da família dos enterovirus (que inclui também ecoviroses, poliomielite, e vírus da hepatite A). Podem infectar pele, unhas, olhos, vias respiratórias, coração, garganta, bexiga, pâncreas, fígado, cérebro ou meninges. Infectam principalmente recém-nascidos.


Tipos

São diferenciados por seus antígenos e patogenia em
Grupo A: 23 subtipos, infectam pele, boca, unhas e/ou olhos.
Grupo B: 6 subtipos, infectam coração, pleura, pâncreas ou fígado.
Ambos grupos podem causar irritação cutâneas, febre, herpangina e/ou meningite asséptica.


Transmissão

Podem espalhar de pessoa para pessoa, geralmente por causa de mãos mal lavadas e nas superfícies contaminadas por fezes, onde podem viver por diversos dias. 

Os recém-nascidos, que podem ser infectados por suas mães durante ou logo após o nascimento, tem maior risco de desenvolver infecção grave, incluindo miocardite, hepatite e meningoencefalites (uma inflamação do cérebro e das meninges).

Suspeita-se que possa danificar o pâncreas a ponto de causar diabetes mellitus insulinodependente, mas é possível que diabéticos tipo 1 seja apenas fator de risco para pancreatite por Coxsackie.

Patologias 
Exantema

Afeta principalmente crianças e aproximadamente metade das crianças com infecção do vírus do coxsackie não têm nenhum sintoma. Cerca de 90% das infecções porcoxsackievirus causam febre e mal estar inespecíficos. Seus sintomas mais comuns são:

Febres repentina de 38,3 a 40oC por 2 a 4 dias
Dor de cabeça
Dores musculares
Dor de garganta
Desconforto abdominal
Náuseas.

Síndrome mão-pé-boca

Síndrome mão-pé-boca começa com febre alta por um ou dois dias e com gânglios inchados. por bolhas vermelhas dolorosas com centro branco na garganta, na língua, na gengiva, nas palmas das mãos e nas solas dos pés. Em alguns casos podem afetar nádegas e genitais. Geralmente afeta crianças. As bolhas ulceram, formando aftas que liberam vírus ao contato ou ao espirrar e tossir. Geralmente desaparece sozinha em alguns dias. É importante durante esse tempo beber água, suco e sopa mesmo com dor de garganta para manter-se bem hidratado OU tomar soro glicosado por via intravenosa.

Herpangina

Herpangina é uma infecção do vírus do coxsackie na garganta que causa lesões no palato mole, úvula, amígdalas e faringe.

Pleurodinia

Pleurodinia (chamado também doença de Bornholm) é uma infecção relacionada do vírus do coxsackie que causa espasmos dolorosos nos músculos da caixa torácica e do abdômen superior.

Conjuntivite

A conjuntivite hemorrágica é uma infecção que afeta á esclera , isto é , o branco dos olhos. Raramente ocorre baixa da acuidade visual ,decorrente de edema retiniano secundário à inflamação da coróide 

Outras

Os vírus de Coxsackie podem também causar:
Meningites, uma infecção das meninges (as três membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal)
Encefalites, uma infecção do cérebro ou cerebelo
Miocardites, uma infecção do músculo do coração
Pericardite, uma infecção do revestimento interno do coração
Diabetes mellitus, ao menos em experimentos com animais com o tipo B4. Em humanos há correlação, mas falta entender a fisiopatologia.


Epidemiologia

O Coxsackievirus encontrados no mundo inteiro. Em países tropicais, as infecções ocorrem durante todo o ano. Em climas subtropicais, os surtos do vírus do coxsackie são mais frequentes no verão e raramente ocorrem no inverno. Causam 25% das infecções de recém-nascidos nos EUA. Nos EUA, estima-se que 1,6 a 2,4 milhões são infectados com sintomas pelo Coxsackievirus por ano. É duas vezes mais comum em meninos que meninas por causas desconhecidas. É mais comum em bebês, mas também afetam adultos. O tipo B1 é o mais comum diagnosticado e o B4 é o mais mo


Etimologia

Recebeu este nome por ter sido diagnosticado como patógeno humano pela no Vilage Coxsackie, Condado de Greene, NY.

Instituto confirma primeira morte por vírus Zika no país

James Gathany/Wikimedia Commons
Aedes Aegypti: paciente tinha lúpus, uma doença que afeta o sistema imunológico, e por isso não resistiu à zika


O Instituto Evandro Chagas confirmou hoje (27) o primeiro caso de morte por vírus Zika no país. A doença é transmitida por meio da picada do Aedes aegypti, mesmo mosquito transmissor da dengue e da febre chikungunya.

Segundo o instituto, o paciente morava no Maranhão e a morte ocorreu em junho. O caso foi encaminhado para a instuição, com sede em Belém, por ser referência nacional em febres hemorrágicas.

O paciente tinha lúpus, uma doença que afeta o sistema imunológico, e por isso não resistiu à zika. O Instituto Evandro Chagas notificou o Ministério da Saúde.

A assessoria do ministério disse que recebeu os dados, analisa as informações repassadas e vai divulgar um posicionamento sobre o assunto na próxima semana.

O vírus Zika é caracterizado por febre baixa, olhos vermelhos sem secreção e sem coceira, dores nas articulações e erupção cutânea com pontos brancos e vermelhos, além de dores musculares, dor de cabeça e dor nas costas.

A maior parte dos casos não apresenta sintomas. O tratamento é sintomático com uso de paracetamol para febre e dor, conforme orientação médica.

Os casos de vírus Zika vem chamando atenção nas últimas semanas devido a possíveis ligações da doença com o aumento de microcefalia no Nordeste.

Complexo transplante de face é realizado nos EUA

© Fornecido por AFP Foto mostra o antes (E) e o depois da operação de transplante de face do paciente Patrick Hardison, em Nova York, no dia 16 de novembro de 2015

Um salva-vidas de 41 anos que ficou totalmente desfigurado em 2001 foi submetido ao transplante de face mais amplo e mais complexo praticado até agora - anunciou nesta segunda-feira um centro médico em Nova York.

Mais de 100 médicos, enfermeiros e técnicos participaram da cirurgia de 26 horas - realizada em meados de agosto no Centro Médico NYU Langone, anunciou a instituição.

O paciente foi Patrick Hardison, de Senatobia, Missisippi (sul dos EUA), que sofreu graves feridas faciais quando trabalhava como bombeiro voluntário justo uns dias antes dos ataques de 11 de setembro.

Hardison ficou severamente desfigurado quando o teto de uma casa em chamas caiu sobre ele durante uma missão de resgate. Perdeu as pálpebras, as orelhas, os lábios, a maior parte do nariz, o cabelo e as sobrancelhas.

Eduardo Rodriguez, chefe do departamento de cirurgia plástica, liderou a operação após um ano de preparativos, disse o centro médico.

A cirurgia deu a Hardison um novo rosto com outro couro cabeludo, orelhas, canais auditivos e algumas porções de ossos do queixo, bochechas e nariz.

Ele também ganhou novas pálpebras e músculos que controlam o piscar. Antes Hardison não conseguia fechar os olhos completamente.

Ao chegar até Rodríguez, Hardison já havia enfrentado mais de 70 cirurgias. Os transplantes de rosto se tornaram cada vez mais frequentes nos últimos anos.

© Fornecido por AFP O médico Eduardo D. Rodríguez posa ao lado de foto do antes (E) e o depois da operação de transplante de face do paciente Patrick Hardison, em Nova York, no dia 16 de novembro de…

Em março, um hospital espanhol informou que havia realizado com sucesso o que chamou então de o transplante facial mais complexo até hoje: consistiu na reconstrução da parte baixa do rosto, queixo, boca, língua e garganta de um homem anônimo terrivelmente desfigurado por uma doença.

O hospital universitário Vall d'Hebrón de Barcelona informou que a operação reconstruiu dois terços do rosto do homem de 45 anos.

Em 2010, o mesmo hospital praticou o primeiro transplante facial toral em um homem que sofreu um acidente que o deixou sem nariz e deformou sua mandíbula e maçãs do rosto.

O primeiro transplante facial parcial do mundo foi praticado por médicos franceses em 2005, numa mulher que foi atacada pelo cachorro.

AFP

140 crianças nasceram com microcefalia em PE. Ninguém sabe o porquê

A microcefalia é uma anomalia no desenvolvimento do cérebro do bebê. Governo investigará a causa do surto

O Estado de Pernambuco está enfrentando um surto de bebês nascidos com microcefalia. Só neste ano, 141 recém-nascidos foram registrados com o problema, um número dez vezes maior do que a média, que é de no máximo 12 por ano. O surto fez com que o Ministério da Saúde, a Secretaria de Saúde de Pernambuco e a Organização Pan-americana de Saúde iniciassem uma investigação conjunta para entender o que está acontecendo no Estado.

A microcefalia é uma anomalia no desenvolvimento do cérebro do bebê. Eles nascem com crânio medindo menos do que 33 centímetros – medida considerada normal para uma criança que nasce com nove meses. A malformação pode ser causada por problemas genéticos. No entanto, isso não explicaria o alto número de casos identificados de uma hora para outra. Segundo o Jornal do Commercio, de Pernambuco, os exames inciais em alguns recém-nascidos descartaram a hipótese de que o problema fosse hereditário.

(Foto: SXC)

Infecções da gestante também podem causar malformação do crânio do bebê. Rubéola, toxoplasmose e outras doenças infecciosas também trazem riscos, assim como desnutrição da gestante. Um surto de alguma doença infecciosa na região, ainda não detectada, poderia estar causando o problema.

Outra hipótese analisada é se infecções causadas pelos vírus da dengue, chikungunya e zika durante a gestação poderiam estar por trás do surto. Algumas gestantes apresentaram sintomas comuns a doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, e o aumento dos casos coincide com um surto do víruso zika em Pernambuco. O Estado registrou mais de 110 mil casos de zika em 2015. Mais estudos são necessários para indicar correlação entre os casos.

Uma terceira possibilidade é de que o surto tenha sido causado porcontaminação. Em tese, alguns produtos químicos e o uso de álcool e drogas podem causar a malformação. O fato dos casos estarem concentrados em Pernambuco, sendo metade no Recife, podem indicar que as causas são ambientais. Porém, ainda não há indícios de contaminação na região.

Segundo o Estado de S. Paulo, o impacto da microcefalia para as famílias é muito forte. As crianças podem, em tese, ter uma vida normal, mas precisarão ser acompanhadas regularmente. Elas terão que fazer fisioterapia e podem desenvolver problemas cognitivos e até epilepsia.

Consumo do chá de hibisco requer moderação: veja os riscos

ThinkStock
Hibisco: chá contribui para que se acumule menos na região do abdômen e nos quadris
Gabriela Kimura, do M de Mulher

A bebida feita a partir do cálice da flor de hibisco figura entre as favoritas para quem procura perder peso. E não é à toa: sua ação antioxidante é a principal responsável pela diminuição do acúmulo de gordura no corpo."Uma pesquisa publicada no Journal of Ethnopharmacology da Sociedade Internacional de Etnofarmacologia concluiu que o chá de hibisco é capaz de reduzir a adipogênese, que é o processo de maturação celular no qual as células pré-adipócitas se convertem em adipócitos maduros capazes de acumular gordura corporal.

Por isso, ao diminuir esse processo, o chá contribui para que se acumule menos na região do abdômen e nos quadris", explica a Dra. Carolina Mantelli Borges, endocrinologista e metabologista da clínica de especialidades Integrada. Além disso, o hibisco é rico em nutrientes, como cálcio, magnésio, potássio e fósforo, é levemente adocicado e dispensa o uso de adoçantes e/ou açúcar e tem ação diurética.

"O cálice da flor utilizado para elaborar o chá é rico em vitamina B2, que auxilia na saúde da pele, ossos e cabelos e a vitamina B1, que juntas ajudam o nosso corpo na captação de energia nas células, principalmente ao auxiliar no metabolismo do oxigênio e da glicose, as principais fontes de combustível celular", explica a médica.

Porém o consumo do chá de hibisco requer atenção, principalmente para quem tem problemas de pressão e também para mulheres em idade fértil. "Como qualquer outra planta, o hibisco em chá pode causar toxicidade se for consumido em doses excessivas, pois tudo o que ingerimos precisa ser metabolizado e eliminado pelo fígado e rins", alerta Carolina.

O limite de ingestão diária não é ainda um consenso entre os especialistas, que varia de 200 ml por dia até de três a quatro xícaras (chá) meia hora antes das principais refeições. Para cada caso a quantidade é específica, mas o excesso (como quase tudo na vida) pode sim trazer problemas para a saúde.

Riscos para a fertilidade

Se você já ouviu alguém falando sobre isso, saiba que é verdade. Existem estudos que mostram que o hibisco tem componentes que interferem nos níveis de estrogênio alterando-os, sugerindo até mesmo seu uso como anticoncepcional. "Para as mulheres que sofrem com a TPM e outras condições do sistema endócrino, o chá de hibisco pode causar piora e até dificuldade para engravidar, ao interferir no processo de ovulação. Por este motivo, também deve ser evitado no período de gravidez". A orientação da médica é limitar o consumo a um copo de 200 ml de chá por dia, preparados com quatro ou seis gramas da flor seca (uma colher de chá) - igual a dois ou três sachês. "Mesmo assim homens e mulheres precisam ter cuidado antes de inseri-lo no cardápio, pois seu consumo regular pode alterar os níveis hormonais no organismo e trazer complicações." Já gestantes e lactantes devem evitar a bebida, que apresentou ação mutagênica em alguns estudos, ou seja, significa que pode interferir na estrutura dos genes do bebê. E é melhor não correr o risco, certo?

Pressão baixa x pressão alta

Existem estudos que afirmam o benefício do consumo do chá de hibisco em pacientes que têm pressão alta, principalmente por ter uma ação diurética que ajuda a eliminar alguns eletrólitos que são responsáveis pela alteração, como magnésio, cálcio, potássio e sódio. Sendo assim, quem já tem problemas de pressão arterial baixa podem sofrer ainda mais com a hipotensão. Já quem tem hipertensão e toma medicamentos para a doença também deve evitar o consumo: o remédio ajuda a baixar a pressão, bem como o chá, resultando em uma redução maior do que a necessária, potencializada pelo efeito diurético.

Mal estar

A hipotensão é o único efeito colateral confirmado do chá de hibisco, mas algumas pessoas podem experienciar outros males como tontura, enjoo, escurecimento da visão, sensação de fraqueza e até desmaios. "Por ter ação diurética, o consumo em excesso pode fazer com que a pessoa elimine muito eletrólitos, nutrientes essenciais para o funcionamento do organismo composto principalmente por cálcio, potássio, sódio e magnésio. Logo a falta dessas substâncias pode levar à desidratação", afirma a Dra. Carolina Borges.

Como qualquer outro alimento, você deve ficar de olho se sentir qualquer mal estar ou alterações no seu corpo com o consumo do chá - e procurar um profissional para orientá-la.

Empresa é contratada para regularizar pílula do câncer

Divulgação/USP
Pílula contra o câncer: relatos de supostas curas fizeram crescer a procura pela substância, que não tem registro na Anvisa

José Maria Tomazela, do Estadão Conteúdo

Sorocaba - Os pesquisadores que desenvolveram a fosfoetalonamina sintética, usada para o tratamento do câncer, contrataram uma empresa para obter o registro do produto na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A contratada, RAGB Regulatory Affars Global Business, informou que já discute uma parceria com um laboratório do Rio Grande do Sul para a realização dos testes necessários.

Em seu site, a RAGB informa dispor de uma equipe especializada em assessoria no registro de produtos junto à Anvisa.

A substância foi desenvolvida há mais de 20 anos por pesquisadores do Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da Universidade de São Carlos e vem sendo usada como tratamento experimental contra o câncer.

Relatos de supostas curas fizeram crescer a procura pela substância, que não tem registro na Anvisa.

De acordo com a empresa, houve manifestação de interesse do Laboratório Farmacêutico do Rio Grande do Sul (Lafergs), vinculado à Fundação de Produção e Pesquisa em Saúde, em dar seguimento às pesquisas já realizadas na USP pelo ex-professor Gilberto Orivaldo Chierice.

Uma reunião entre as partes está agendada para esta semana, em Porto Alegre, mas a empresa ressalva que as tratativas estão em fase inicial. O laboratório foi procurado, mas o expediente já havia se encerrado.

Autuação

Em uma fiscalização realizada no último dia 28, o Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP) autuou o laboratório que produz a substância fosfoetanolamina sintética, instalado no Instituto de Química da USP em São Carlos.

De acordo com o conselho, a fiscalização constatou que a produção não segue as normas para sintetização de fármacos e não conta com farmacêutico responsável.

Ainda segundo o CRF-SP, para ser considerado medicamento possível de utilização de forma segura no país, a fosfoetanolamina teria de ser registrada segundo as normas sanitárias do governo federal.

"Não há segurança no uso dessa substância. Um paciente em estado terminal pode sentir melhorias, mas ninguém sabe os efeitos da fosfoetalonamina a médio e longo prazos", afirmou o presidente do CRF-SP, Pedro Eduardo Menegasso.

Segundo ele, diante do clamor público, o governo poderia liderar um esforço concentrado para realizar as pesquisas mínimas de segurança e liberar com isso a utilização da substância em casos específico.

"Da forma como está, a população está exposta a riscos", declarou em nota distribuída pela assessoria de imprensa.

De acordo com o CRF, a USP pode ser multada se não adotar boas práticas de produção, controle de qualidade e designar farmacêutico para ser o responsável técnico pelo substância.

Por se tratar de órgão de pesquisa que produz a substância em pequena quantidade e distribui gratuitamente, o valor da multa, ainda a ser calculado, será simbólico.

A Vigilância Sanitária, órgão a quem compete uma possível interdição do laboratório, foi notificada, mas ainda não se pronunciou.

Embora a produção seja autorizada pela Justiça, o CRF entendeu que estaria deixando de cumprir obrigação legal se não fizesse a fiscalização no Instituto de Química.

Segundo o conselho, isso não ocorreu antes porque até decisão recente da Justiça, a substância não era usada como medicação.

No mês passado, revendo decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, o Supremo Tribunal Federal liberou a entrega das cápsulas a uma paciente terminal por entender que o uso da substância era o último recurso e que apenas a falta de registro na Anvisa não caracteriza lesão à ordem pública.

O TJ, em seguida, liberou para os demais pacientes com liminar da Justiça. A produção é feita exclusivamente para atender a essas liminares. 

Procurado, o Instituto de Química de São Carlos não se manifestou sobre a autuação. A USP informou que sua posição é a mesma do comunicado emitido em outubro, no qual afirma que é obrigada a fornecer o produto para os que solicitam através de liminares judiciais.

A USP esclarece que a substância não é remédio, foi estudada como produto químico e não existe demonstração cabal de que tenha ação efetiva contra a doença.

No comunicado, a USP afirma ainda que não é uma indústria química ou farmacêutica, não tem condições de produzir a substância em larga escala e que, por ser produção artesanal, não atende aos requisitos nacionais e internacionais para a fabricação de medicamentos.

Segundo o comunicado, a fosfoetalonamina está disponível no mercado e pode se adquirida pelas autoridades públicas. "Não há, pois, nenhuma justificativa para obrigar a USP a produzi-la sem garantia de qualidade."

Não uso

Em documento divulgado nesta terça-feira, 3, a Academia Brasileira de Ciências (ABC) alertou para os riscos do consumo da fosfoetalonamina sintética como um método para o tratamento do câncer e recomendou que o produto não seja usado em seres humanos.

O texto, assinado pelos diretores João Batista Calixto e Mauro Martins Teixeira, explica que o processo de aprovação de um medicamento, controlado no Brasil pela Anvisa, pode durar até 12 anos, pois deve passar por diversas etapas de testes em laboratório e em organismos vivos.

A fosfoetalonamina não passou por todas essas etapas que, segundo a ABC, são indispensáveis para que a molécula se torne um medicamento com provas científicas de eficácia e segurança.

Além disso, o manifesto explica que não existe um tipo único de câncer e que, para cada caso particular da doença, há a necessidade de demonstração da eficácia clínica do medicamento e de compará-lo com outras terapias já existentes.

"Conclui-se, portanto, tratar de uma molécula em fase ainda muito preliminar de desenvolvimento e que ainda está muito distante de poder ser recomendada para uso como medicamento em seres humanos." 

A entidade recomenda que a fosfoetanolamina não seja utilizada em seres humanos até que estudos científicos pré-clínicos e clínicos sejam conduzidos para avaliar sua segurança e eficácia, como é exigido por todas as agências reguladoras internacionais, incluindo a Anvisa. 

O médico cancerologista Renato Meneguelo, um dos detentores da patente do produto, disse que as cápsulas são de um composto resultante da sintetização da fosfoetalonamina e diferente do produto original.

Ele espera que os testes confirmem as propriedades da substância contra alguns tipos de câncer. Sobre a ação do CRF, reconheceu que o Instituto de Química da USP não é o local mais adequado para fazer o produto final.

Cisto pilonidal: conheça os tipos de tratamento

Dr. João Ricardo Duda10 horas atrás

O cisto pilonidal ou sacro-coccígeo é uma doença benigna que acomete a região sacrococcígea - abaixo da região lombar, onde se inicia o sulco entre as nádegas - cuja manifestação é por orifícios na pele entre os glúteos, que se comunicam por trajetos fistulosos subcutâneos, associados a um grau variável de inflamação e infecção. O termo pilonidal significa "ninho de pelos", devido a presença de pelos no seu interior.

Há mais de uma teoria para a causa desta afecção. Trata-se de uma doença adquirida, onde o invasor (o pelo) encontra uma anatomia desfavorável devido a um sulco interglúteo vulnerável e uma força de sucção capaz de introduzir o pelo no subcutâneo. A movimentação glútea é responsável pela sucção e aprisionamento de pelos no subcutâneo, com consequentes foliculite e abscesso. Fatores de risco associados são: incidência prévia de foliculites ou furunculoses, obesidade, história familial de cisto pilonidal, excesso de pelos na região e condições inadequadas de higiene. Sabe-se que pode afetar indivíduos de qualquer idade, porém, é característica marcante da doença se manifestar entre a puberdade e os 30 anos de idade, além de acometer três vezes mais homens que mulheres.

Tratamento

Quando a cavidade do cisto se infecta costumam se formar abscessos que podem drenar pelos orifícios. A não drenagem pelos orifícios gera aumento significativo da dor, edema e abaulamento. No caso de abscesso, deve-se drená-lo amplamente e curetá-lo, com o intuito de reduzir a taxa de recidivas.

O tratamento é sempre cirúrgico. No paciente assintomático, não há urgência, porém, a postergação pode ampliar o acometimento, tornando a cirurgia mais complexa no futuro. É raro aqueles que não operam permanecerem sempre assintomáticos. A cirurgia ideal deveria ter uma breve internação, mínimo dano ao paciente, facilidade no manejo da ferida operatória, breve retorno as atividades e principalmente baixo índice de recidivas, o que é difícil de alcançar em sua totalidade.

© Fornecido por Minha Vida

Opções cirúrgicas

Método Aberto

Consiste em se abrir os trajetos fistulosos ou excisão em bloco, deixando por cicatrizar aberto em segunda intenção. Há grandes curativos, com limpezas, trocas das gazes e usos de pomadas duas ou três vezes ao dia. Gera ferimentos de manejo mais difícil, retardando o retorno as atividades cotidianas, uma vez que demora de dois até seis meses para cicatrizar. É indicada quando a doença é pouco extensa e sem infecção. A taxa de recidiva é de 10% a 15 %. Uma opção de técnica aberta é a "marsupialização" da ferida operatória. Nela os bordos são suturados ao fundo da ferida, reduzindo a superfície cruenta. A marsupialização tende a reduzir o tempo de cicatrização para dois meses ou menos, e a recorrência para 6%.

Método Fechado

Pode ser com fechamento primário ou com retalhos cutâneos. A excisão e fechamento primário é feita após a excisão e remoção ampla dos cistos, ocorre a sutura com pontos englobando a totalidade dos tecidos em direção a linha média. Ela reduz o tempo de retorno as atividades, porém, são bastante elevadas taxas de complicações, como a infecções em 30% dos casos e a recorrência do problema em 13% a 20% dos pacientes.

Já por rotação de retalhos cutâneos, a ideia é fechar grandes feridas retirando a linha de sutura da linha média e planificando o sulco intergluteo, o que em teoria dificulta a entrada do pelo para o subcutâneo. Há diversas técnicas de rotação de retalho, como a cirurgia de Karydakis, retalho em V-Y, e Zetaplastia. Eu particularmente utilizo o Retalho de Limberg.

O Retalho de Limberg tem a finalidade de cobrir ferimentos com perda grande de tecido na linha média. Faz-se uma ressecção da doença pilonidal com uma incisão em losango, libera-se o retalho cutâneo em formato triangular no glúteo direito, o qual cobrirá a área com defeito. Toda a área é suturada, constituindo numa ferida fechada. O subcutâneo é mantido drenado. As taxas de complicações na literatura variam de 4 % a 20%, e de recorrência 6%. A literatura demonstra mais complicações e menos recidivas comparando as técnicas com retalho em relação ao fechamento primário. Em minha experiência utilizando a técnica do Retalho de Limberg desde 2007, observei apenas uma recidiva, pouca dor e uma ferida de manejo mais fácil que a técnica aberta. Há uma demora de 60 a 90 dias para a cicatrização completa da ferida em sua porção inferior, o que não impede o paciente de exercer suas atividades normalmente.

Como as baratas podem ajudar a salvar vidas humanas

© Copyright British Broadcasting Corporation 2015 Thinkstock

Insetos que fogem assim que você entra em uma sala e acende as luzes, as baratas geralmente são associadas a ambientes sujos. Mas elas estão despertando o interesse de mais do que empresas de dedetização: têm inspirado pesquisas em antibióticos, robôs e próteses para membros perdidos.

Em Havana, a barata cubana, inseto nativo de cor verde, é tida como um bicho de estimação e o inseto até aparece em histórias folclóricas.

Entre as 4,5 mil espécies de baratas conhecidas no mundo, apenas 4 são consideradas pragas.

A maioria delas não vive perto de residências de humanos e tem um papel ecológico importante, comendo matéria morta ou em deterioração.

Algumas espécies têm cores vivas e desenhos. Algumas são criaturas sociais e tomam decisões coletivas. Outras formam pares e criam os filhos juntas. Outras são sozinhas.

Elas podem emitir silvos, cantar e fazer sons percussivos para atrair um parceiro e sobrevivem às condições mais difíceis com pouca comida durante meses. Uma espécie, a Eublaberus posticus, pode sobreviver por um ano consumindo apenas água.


A mais pesada delas, a barata rinoceronte, vive no subterrâneo, chega a pesar 35 gramas, mede 8 centímetros e vive na Austrália. Uma das menores é uma praga encontrada na Europa e na América do Norte, a barata alemã, com apenas pouco mais de um centímetro.

Uma das curiosidades é que borra de café é usada com frequência como isca em armadilhas para estes insetos.

Inspiração

Cientistas têm nas baratas uma fonte de inspiração. Em 1999, essas criaturas inspiraram Robert Full, professor na Universidade da Califórnia em Berkeley, a criar um robô de seis pernas que se movia mais rápida e facilmente do que qualquer outro robô.

© Copyright British Broadcasting Corporation 2015 O inseto no Parque Nacional Tsimanampetsotsa, em Madagascar (Foto: SPL)

Em sua palestra de 2014 na conferência TED, Full explicou como as patas elásticas, a forma corporal arredondada e os exoesqueletos flexíveis - feitos a partir de tubos conectados e placas - permitem que estes robôs se movimentem em terrenos mais complexos.

As patas das baratas também estão dando ideias a cientistas dedicados a criar a próxima geração de próteses de perna para humanos - a mecânica que dá elasticidade para as patas dos insetos é a base para a capacidade de uma prótese de mão mecânica de conseguir agarrar.

O objetivo, segundo Robert D Howe, do Laboratório de Biorrobótica de Harvard, é produzir uma mão que "deslize pelos objetos até envolvê-los, como uma mão humana levantando uma xícara de café".

E há também a barata robótica: uma fusão de uma barata viva e um minicomputador, cirurgicamente preso às suas costas. A partir de mensagens do minicomputador, a barata pode ser direcionada para lugares aos quais os humanos dificilmente teriam acesso, como prédios que desabaram ou canos de esgoto arrebentados. Ali as baratas podem coletar dados.

"Na primeira vez que vi essas baratas fiquei de cabelo em pé", disse Hong Liang, pesquisadora-chefe do projeto na Universidade A&M do Texas. "Mas acabei ficando com algumas delas em meu escritório, como bichos de estimação, por um tempo. Na verdade elas são criaturas belas. Elas se limpam constantemente."

© Copyright British Broadcasting Corporation 2015 A barata robótica consegue obter informações de prédios desabados, por exemplo (Foto: Carlos Sanchez Texas A&M University)

Em junho, estudantes da Universidade Jiao Tong, de Xangai, na China, demonstraram como conseguiam controlar baratas com o pensamento. Traduzindo as ondas cerebrais em impulsos elétricos, eles conseguiram direcionar uma barata, com um receptor preso a ela, por vários túneis.

Na medicina

Na medicina também há pesquisas relacionadas a baratas. Há tempos os cientistas se perguntam como as baratas passam a vida em ambientes sujos e sem problemas de saúde.

© Copyright British Broadcasting Corporation 2015 Baratas podem ter papel importante para o desenvolvimento de tratamentos contra algumas bactérias (Foto: Getty)

As baratas produzem o próprio antibiótico - e é um antibiótico poderoso.

Com isso, elas podem ser cruciais no desenvolvimento de remédios para enfrentar bactérias como E. coli (que causa intoxicação alimentar), MRSA (que causa infecções na pele) e outras que são resistentes a muitos dos tratamentos atuais.

Curar com baratas não é algo novo. No século 19, o jornalista e escritor Lafcadio Hearn reparou em alguns tratamentos durante uma viagem pelo sul dos EUA.

"Eles dão chá de barata contra o tétano. Não sei quantas baratas são usadas para fazer uma xícara, mas descobri que a fé neste remédio é forte entre muitos membros da população americana de Nova Orleans", escreveu ele.

Hoje, alguns hospitais da China usam um creme feito com pó de baratas para tratar queimaduras e, em alguns casos, um xarope de baratas é ministrado a pacientes para aliviar os sintomas de gastroenterite.

Quando Wang Fuming percebeu que a demanda por insetos estava crescendo na Província de Shandong, no leste do país, ele abriu uma fazenda de baratas. Mantém 22 milhões destes insetos em abrigos subterrâneos e diz que, desde 2010, o preço das baratas secas aumentou dez vezes.

© Copyright British Broadcasting Corporation 2015 Algumas baratas são iguarias na China (Foto: Thinkstock)

Os insetos também podem ser comidos. A barata americana é uma iguaria na China.

Ao fritá-la duas vezes em óleo quente, a barata ganharia uma casca crocante e um interior suculento, com a consistência de queijo cottage. Uma pitada de pimenta dá um sabor ainda mais marcante, dizem os apreciadores.

Com o crescimento da população humana e da demanda por proteína, talvez a barata seja o futuro da alimentação mundial. Se as pessoas forem mais liberais.